MILTON SOARES DE CASTRO (1940 – 1967)

 

Número do processo: 211/96

Filiação: Universina Soares de Castro e Marcirio Palmeira de Castro

Data e local de nascimento: 23/06/1940, Santa Maria (RS)

Organização política ou atividade: MNR

Data e local da morte: 28/04/1967, Juiz de Fora (MG)

Relator: Nilmário Miranda

Deferido em: 02/04/1996 por unanimidade

Data da publicação no DOU: 11/04/1996

Gaúcho de Santa Maria, Milton Soares de Castro trabalhava em Porto Alegre (RS) como operário metalúrgico, quando se vinculou ao MNR para participar da frente guerrilheira da Serra do Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Ele e mais 12 militantes haviam ocupado a serra para mapear o local onde seria feito treinamento de guerrilha. Todos foram presos pela Polícia do Exército, no dia 01/04/1967, sendo levados depois para a Penitenciária Estadual de Linhares, em Juiz de Fora (MG). Companheiros de Milton, presos na mesma época, afirmam que ele foi morto em conseqüência de uma discussão com o major Ralph Grunewald Filho, já falecido, o qual assumiu, logo após a morte de Milton, o comando do 10º Regimento de Infantaria de Juiz de Fora. Após a discussão, Milton foi recolhido a uma cela isolada. No dia seguinte, 28/04/1967, estava morto.

Segundo a versão oficial, Milton teria se suicidado por enforcamento, fato desmentido por depoimentos dos próprios soldados do quartel, que disseram ter visto seu corpo sangrando abundantemente ao ser retirado da cela. Preso junto com Milton em Linhares, Gregório Mendonça,  também do MNR e depois da VPR, nunca acreditou na versão de suicídio. Ele diz que o amigo teria passado por um longo interrogatório no Quartel general Regional, na noite que antecedeu sua morte. Gregório estava lá quando o corpo do companheiro foi retirado da cela. “Ele foi levado dentro de um lençol, como um embrulho. O que ninguém sabe é se Milton morreu na cela ou se foi colocado dentro dela morto. Ele estava sendo pressionado pelo Exército para entregar outros companheiros”.

A necrópsia realizada no Hospital Geral de Juiz de Fora, em 28/04/1967, pelos médicos Nelson Fernandes de Oliveira e Marcus Antônio Nagem Assad, descreve algumas equimoses em suas pernas, principalmente nos joelhos, mas confirma a versão oficial de suicídio por enforcamento. A certidão de óbito atesta sua morte no mesmo dia 28, na Penitenciária de Juiz de Fora, sendo assinada pelo legista J. Guadalupe, que não participou do exame. Milton foi enterrado como indigente.

O relator do caso na CEMDP, concluiu que, “Milton teve efetivamente participação em atividades políticas, tendo sido preso em conseqüência desta atividade, vindo a falecer por causa não-natural, em dependência policial”. Em 28/04/2002, 35 anos depois do ocorrido, o jornal Tribuna de Minas Tribuna de Minas publicou a matéria  publicou a matéria Cova de militante desaparecido é encontrada em Juiz de Fora, assinada pela jornalista Daniela Arbex, contestando a versão do Exército. Segundo a reportagem, “O atestado de óbito, encontrado pela Tribuna, indica equivocadamente que o sepultamento de Milton ocorreu no Cemitério Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ao contrário do que está escrito no documento, o guerrilheiro da Serra do Caparaó foi enterrado na sepultura número 312, quadra L, do Cemitério Municipal de Juiz de Fora.

Um lugar que, de tão óbvio, nunca foi cogitado pelos familiares do militante e nem por pesquisadores, nestes 35 anos. Milton foi enterrado na cidade às 14h do dia 29 de abril de 67, conforme registro do livro de óbito do cemitério”. Ainda na matéria, “segundo o irmão de Milton, Edelson Soares de Castro, hoje com 55 anos, sua mãe passou vários anos em busca do corpo do filho, porém jamais conseguiu do Exército a informação sobre onde teria sido sepultado”. “Para nós, disseram apenas que era sigilo militar. Somente, agora, com esta matéria, pudemos saber que, enquanto o Exército negociava conosco a entrega do corpo de nosso irmão, ele já havia sido enterrado”.

A matéria traz ainda depoimento inédito do vice-diretor da Penitenciária, na época, Jairo Vasconcelos. Ele estava na unidade quando Milton e seus companheiros foram capturados na Serra de Caparaó. “Me impressionou o aparato montado para trazê-los para cá. Os militantes estavam com aspecto físico deplorável. Além de algemados no caminhão que os trouxe, estavam presos uns aos outros. A ficha deles estava acompanhada com o termo: perigosos”. Em 1980, Vasconcelos deixou a penitenciária. Quando retornou, cinco anos depois, todas as fichas sobre esses militantes haviam desaparecido.

Mesmo com as descobertas do Tribuna de Minas Tribuna de Minas sobre o lugar onde o corpo de Milton foi enterrado, os familiares optaram por não fazer a  sobre o lugar onde o corpo de Milton foi enterrado, os familiares optaram por não fazer a exumação dos restos mortais. A irmã de Milton, Gessi Soares, 65 anos, disse que o assunto lhe trazia muitas lembranças dolorosas. “O que fizeram com o Milton não se faz nem com um bicho. Ele tinha um ideal, queria mudar o país. Quando soubemos de sua morte, lutamos por muito tempo para que o Exército nos entregasse seu corpo. Não tivemos o direito de velar por nosso irmão”.

 

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