Sociedade da grã-ordem kavernista apresenta sessão das 10!

Em 1969, o então desconhecido Raul Seixas deixou a Bahia, abandonando sua fracassada banda Raulzito & os Panteras, para ir trabalhar no Rio como produtor fonográfico na gravadora CBS, com a tarefa de cuidar de discos de artistas populares da época. Na cidade maravilhosa o artista acabou conhecendo outras três figuras anárquicas dos arredores da gravadora: Miriam Batucada, Edy Star e Sérgio Sampaio. Juntos, os quatro formam a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista e, às escondidas, num momento em que a gravadora bobeou, invadiram um estúdio e gravaram o tal do “maior espetáculo da terra”: Sessão das Dez.
Lançado em 1971, o disco foi um fracasso em termos de público e crítica. A CBS logo tratou de retirar as poucas cópias do mercado, alegando que a obra não se encaixava na linha atuação da gravadora. Alguns meses depois, Raul foi demitido, indo trabalhar depois para a RCA Victor.
De qualquer forma, Sessão das Dez sobreviveu ao tempo e, quarenta anos depois, podemos ter a graça de escutá-lo novamente. Um misto da psicodelia de “Freak Out” do Zappa e da antropofagia dos Mutantes e da Tropicália no Brasil, o disco é sensacional. Deve se levar em conta que foi gravado por quatro bicho-grilos descompromissados em plena transição dos anos 60 para os 70, de forma que a obra é completamente irreverente, anárquica e debochada.
De modo geral, as letras transitam entre televisões a prestação, garotas propaganda, idas ao cinema, e uma certa saudade do interior, o que reflete um conflito pessoal do próprio Raul da época, recém-chegado do interior “inocente, puro e besta” na metrópole que é o Rio de Janeiro.
“Êta Vida” abre o disco num ritmo festeiro e carnavalesco, e na sequência vem a faixa-título “Sessão das Dez”, uma seresta romântica e dramática que os Kavernistas intitulam “nossa homenagem aos boêmios da velha guarda”. Em seguida, uma vinheta com um diálogo aparentemente sem sentido. O disco é inteiro cheio de vinhetas, aparentemente disconexas, parecido com o que o Joelho de Porco fez, uma década depois, no álbum “Saqueando a Cidade”.
A terceira faixa, “Eu Vou Botar Pra Ferver”, com um quê de frevo, samba e rock, é puro desbunde, um verdadeiro carnaval tropicalista. A música seguinte, “Eu Acho Graça”, é introduzida por uma conversa de telefone sensacional (“Alô, aí é o Jorginho Maneiro? É verdade que agora você é hippie?”, “Podes crêr!”). No auge da empolgação do disco, temos “Quero Ir”, em que os Kavernistas fazem sua homagem a eles mesmos, num coro dizendo “viva nós!”. A letra fala do artista louco pra retornar pra sua terra, pra Bahia, pra Cachoeiro de Itapemirim (cidade natal de Roberto Carlos).
“Soul Tabaroa” é o bicho-grilo dançando seu Soul Musics num xaxado e “Todo Mundo Está Feliz” é a crítica ao Rock bobo e comportado. “Eu Não Quero Dizer Nada” é a típica música romântica, porém, em que o cantor, na ausência de adjetivos melhores, admite que a amada é “tão legal”! O terrível “Dr. Pacheco”, o ‘herói dos dias úteis’, é o pior inimigo dos Kavernistas: o homem engravatado, de olho no dinheiro.
O disco termina com o som de uma descarga na última faixa, mandando toda essa zona (merda?) pro ralo.
1. Eta Vida
2. Sessão das Dez
3. Eu Vou Botar Pra Ferver
4. Eu Acho Graça
5. Chorinho Inconsequente
6. Quero Ir
7. Soul Tabarôa
8. Todo Mundo Está Feliz
9. Aos Trancos E Barrancos
10. Eu Não Quero Dizer Nada
11. Dr. Pacheco
12. Finale

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