PEDRO INÁCIO DE ARAÚJO (1909-1964)

 

Número do processo: 135/96

Filiação: Ana Maria da Conceição e Pedro Antônio Félix

Data e local de nascimento: 08/06/1909, Itabaiana (PB)

Organização política ou atividade: sindicalista rural/PCB

Data e local do desaparecimento: setembro de 1964, João Pessoa (PB)

Data da publicação no DOU: 04/12/95

Conforme denúncia de Márcio Moreira Alves no livro Torturas e Torturados Torturas e Torturados Pedro Inácio e João Alfredo desapareceram juntos, em setembro  Pedro Inácio e João Alfredo desapareceram juntos, em setembro de 1964, no 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa (PB), onde foram torturados. Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que liga João Pessoa a Caruaru. De acordo com testemunhas, seriam os corpos de João Alfredo e Pedro Inácio de Araújo. A história da vida de João Alfredo, assim como de João Pedro Teixeira e outros camponeses, aparece no filme Cabra marcado para morrer, dirigido por Eduardo Coutinho.

João Alfredo era sapateiro e camponês, militante do PCB. Foi o organizador das Ligas Camponesas de Sapé. Antes de 1964, esteve preso em várias ocasiões devido a seu trabalho político com os camponeses. Nas eleições municipais de 1963, foi eleito vereador em Sapé, com mais de três mil votos, tendo sido na ocasião um dos mais votados. Logo após o golpe que depôs o presidente Goulart, João Alfredo foi preso, torturado e ficou detido até setembro de 1964, quando desapareceu. Também filiado ao PCB, Pedro Inácio de Araújo, conhecido por Pedro Fazendeiro, era trabalhador rural e militou em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais, com João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado em 1962. Antes de 1964, sofreu ameaças de morte por parte dos latifundiários da região, tendo, em 1962, levado um tiro na perna. Foi vice-presidente da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba, e membro da Federação das Ligas Camponesas. Morava em Miriri. No dia 08/05/1964, foi preso pelos órgãos de repressão e levado para o 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa, onde foi torturado. Respondia a inquérito presidido pelo coronel famoso Hélio Ibiapina Lima.

Os nomes de João Alfredo e Pedro Inácio estavam incluídos entre os 136 da lista anexa à Lei nº 9.140/95, sendo portanto automaticamente reconhecidos, sem necessidade de escolha de relator ou realização de diligências pela CEMDP.