A influência da internet nos hábitos de leitura do adolescente

Eliane L. da Silva Moro
Professora do curso de Biblioteconomia – FABICO/UFRGS
mmoro@adufrgs.ufrgs.br
Gabriela Pinheiro Souto
Bibliotecária do Colégio Marista Pio XII
gabriela.souto@ig.com.br
Lizandra Brasil Estabel
Professora do curso de Biblioteconomia – FABICO/UFRGS
Bibliotecária do Colégio Mãe de Deus e do Instituto Santa Luzia – POA/RS
estabel@cpovo.net

 

 

 

LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA

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Atentado do Riocentro

Atentado do Riocentro é o nome pelo qual ficou conhecido um frustrado ataque a bomba ao Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, quando ali se realizava um show comemorativo do Dia do Trabalhador, durante o período da ditadura militar no Brasil. O atentado, perpretado por setores da extrema-direita do Exército Brasileiro, insatisfeita com a abertura democrática que vinha sendo feita pelo regime, ajudou a apressar a redemocratização do país, completada quatro anos depois, com a primeira eleição presidencial realizada no Brasil em vinte e quatro anos.[1]

As bombas, levadas ao complexo num carro esportivo civil Puma, seriam plantadas no pavilhão pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário e pelo capitão Wilson Dias Machado. Com o evento já em andamento, uma das bombas explodiu prematuramente dentro do carro onde estavam os dois militares, no estacionamento do Riocentro, matando o sargento e ferindo gravemente o capitão Machado. Uma segunda explosão ocorreu a alguns quilômetros de distância, na miniestação elétrica responsável pelo fornecimento de energia do Riocentro. A bomba foi jogada por cima do muro da miniestação, mas explodiu em seu pátio e a eletricidade do pavilhão não chegou a ser interrompida. Na tentativa de encobrir o fracasso da operação, o SNI – Serviço Nacional de Informações culpou as organizações de esquerda – na época já extintas – pelo ataque. Essa hipótese já não tinha sustentação na época e anos mais tarde se comprovou, inclusive por confissão,[2][3] que ele foi uma tentativa de setores mais radicais do governo (principalmente do CIEx e do SNI) de, colocando a culpa na oposição radical pela carnificina prevista a acontecer, convencer os setores mais moderados de que era necessária uma nova onda de repressão de modo a paralisar a lenta abertura política que estava em andamento.[2][3]

A abertura de um Inquérito Policial Militar, porém, fracassou em estabelecer os responsáveis do regime, levando à renúncia do general Golbery do Couto e SilvaChefe da Casa Civil do governo do general João Figueiredo e um dos criadores do SNI, e ao arquivamento do caso. Novamente reaberto em 1999, após o aparecimento de novas evidências, três meses de investigação autorizadas pela procuradoria-geral da República, considerando que a ato não estava coberto pela Lei da Anistia – que anistiava crimes políticos entre 1961 e 1979 – resultaram na condenação do capitão Machado por homicídio culposo, estendida ao sargento Rosário se estivesse vivo, do indiciamento por falso testemunho e desobediência do general da reserva Newton Cruz e do coronel Freddie Perdigão, falecido dois anos antes, por comandar a operação. O caso entretanto foi arquivado no mesmo ano sem qualquer punição aos envolvidos por decisão do Superior Tribunal Militar, que se considerou sem condições de mais punir os responsáveis, já que uma decisão anterior do próprio tribunal enquadrou o caso na Lei da Anistia. [1]

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade apresentou um relatório preliminar sobre o atentado, afirmando que ele fez parte de uma ação articulada do Estadobrasileiro.[4] O episódio, com seus desdobramentos,tornou-se um marco da decadência e do esgotamento do regime militar no Brasil, que daria lugar dali a quatro anos ao restabelecimento da democracia.

Contexto político

Em 1979, o general João Batista Figueiredo sucedeu o general Ernesto Geisel na Presidência da República. Figueiredo se comprometeu com o antecessor a dar continuidade ao processo de abertura que este havia iniciado. “É para abrir mesmo. E quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento. Não tenha dúvidas”, afirmou ao ser questionado sobre a abertura política.[5] No entanto, praticamente toda a carreira do novo general-presidente estava ligada à chamada “comunidade de informações” do Exército, formada por organizações como o CIE, SNI e DOI- Codi, responsável direta pela repressão às atividades da esquerda; mesmo disposto a prosseguir com a abertura do regime, ele não pretendia entrar em atrito com estes setores, principalmente o CIE, cujos integrantes estavam inconformados com os rumos políticos do governo. Como muitos deles haviam sido responsáveis por centenas de casos de tortura e desaparecimento, temiam ser humilhados e punidos, caso o regime se desfizesse.

O fim da ditadura poderia, finalmente, representar o fim da comunidade de informações e seus membros receavam o possível revanchismo por parte da oposição, caso esta assumisse o poder. Por isso, para estes órgãos era interessante que a esquerda voltasse a se envolver na luta armada, de modo a justificar mais repressão política. Mas, na primeira metade da década de 1970, a esquerda já havia abandonado a guerrilha, pois não havia mais como levá-la adiante por falta de membros que foram dizimados ou estavam exilados ou de recursos, e o grande núcleo de oposição ao governo não era mais a opção pelo socialismo ou comunismo das guerrilhas de extrema-esquerda , mas a oposição civil em defesa da volta do estado democrático, fosse pelo partido oficial da oposição – o MDB – fosse pelas manifestações que pouco a pouco voltavam a sacudir o país.

Na falta de um perigo evidente, as alas mais radicais das Forças Armadas estavam dispostas a forjar ameaças para justificar uma volta à repressão mais violenta, tal como fora no governo do general Emílio Médici, e assim, dar maior importância aos órgãos de segurança.

 

Os preparativos

Várias medidas estranhas tomadas no dia em que se realizaria o show indicam que o atentado envolveu a participação estratégica de muitas pessoas, militares e civis, e que já vinha sendo planejado detalhadamente pelo menos um mês antes.

A poucas horas do início do evento, a segurança do pavilhão era parca em relação ao habitual. O tenente César Wachulec, chefe da segurança do Riocentro, recebeu naquele dia uma ordem para controlar exclusivamente o movimento das bilheterias, sendo afastado de suas funções habituais pela diretora de operações do Riocentro, Maria Ângela Campobianco . A coordenação geral dos seguranças foi transferida para outro funcionário, um mecânico sem qualquer experiência na área. Um mês antes disso, o antecessor do tenente Wachulec fora demitido sem justificativas. Seu nome era Dickson Grael, coronel paraquedista e pai dos velejadores olímpicos Lars e Torben Grael, bastante experiente nesse tipo de serviço.[6]

Polícia Militar costumava destacar homens para patrulhar eventos no local, assim como em qualquer outra grande aglomeração de pessoas. Mas, no dia do atentado, o policiamento fora suspenso pouco antes do show. A justificativa foi a de que, por ser um evento privado, a responsabilidade pela segurança era exclusiva dos organizadores.

O carro que carregava a bomba – um Puma GTE cinza-metálico placa OT-0297 [7]– fora visto na tarde daquele mesmo dia no restaurante Cabana da Serra, que ficava num ponto isolado da estrada Grajaú-Jacarepaguá, parado junto a outros seis carros. Desses carros desceram cerca de quinze homens, que usaram uma mesa do restaurante para examinar um grande mapa. Depois de perceber que vários deles carregavam armas na cintura, um dos funcionários resolveu ligar para a polícia. Uma viatura atendeu o chamado mas, dada a superioridade numérica dos homens, limitou-se a anotar as placas enquanto pedia reforços. Mas os carros abandonaram o local antes que outros policiais chegassem.[6]

 

O atentado

Durante aquele dia, várias placas de trânsito no trajeto que leva ao Riocentro e painéis de propaganda dentro do complexo foram pichadas com a sigla VPR(Vanguarda Popular Revolucionária). Desde o final da tarde, algumas placas indicativas da direção do centro de convenções também apareceram pichadas com essa sigla. Minutos antes do início do espetáculo, o guarda do estacionamento reservado aos ônibus viu dois carros atravessarem o canteiro e se dirigirem para o local, onde, depois, explodiria o Puma. À noite, quando começou o show, apenas cinco dos 28 portões estavam abertos. Os outros teriam sido trancados, o que impediria uma saída rápida dos espectadores em caso de emergência, provocada, por exemplo, por um corte de luz.[6]

Dentro do Riocentro, cerca de 20 mil pessoas assistiam ao show organizado pelo Centro Brasil Democrático, organização ligada ao PCB, e Elba Ramalho começa a cantar “Banquete de Signos” no palco do centro de convenções.[8] :587[9] O Puma no estacionamento reservado aos artistas e organizadores levava dois ocupantes, o capitão Wilson Machado, proprietário do carro, e o sargento Guilherme Pereira do Rosário. Ambos integravam o DOI do I Exército, no Rio de Janeiro, e pertenciam ao aparelho de repressão progressivamente desativado desde 1975, que vinha praticando atentados terroristas contra personalidades políticas, bancas de jornais e sedes de publicações esquerdistas[9]; o sargento Rosário, agente “Wagner”, era treinado em montagem de explosivos e Machado eventual chefe do patrulhamento da segurança do presidente Figueiredo quando ele ia ao Rio.[9] Quando o carro começou a sair da vaga onde estacionara, um artefato dentro dele explodiu antecipadamente. A explosão inflou o teto do carro e explodiu as portas. O sargento Rosário morreu, enquanto o capitão Machado saía dos destroços ferido, segurando com as mãos as próprias vísceras expostas. [8]:587 Muitas pessoas se aglomeraram em volta do carro. Alguns dos espectadores, inclusive o tenente Wachulec, viram um homem retirar do interior duas granadas do tipo cilíndrico usado pelo Exército Brasileiro. O capitão Machado, que ziguezagueou por uns 200 metros gemendo, sentou-se numa escada que dava acesso para a plateia e foi socorrido 25 minutos depois pela neta do futuro presidente Tancredo NevesAndrea Neves, que chegava atrasada para o show,[7] sendo levado para o Hospital Miguel Couto onde pediu que avisassem do acidente o capitão Francisco de Paula Sousa Pinto. Este, ao chegar ao hospital, identificou o ferido como capitão do Exército.Trinta minutos depois da primeira explosão, uma segunda bomba explode na casa de força, jogada por cima do muro, mas sem maiores consequências nem corte de luz. Minutos depois, um Opala branco estacionado num pátio reservado deixou o local, com seu ocupante gritando para um guarda: “Vocês ainda não viram nada! O pior vai acontecer lá dentro!”[6]

A explosão no carro não chamou a atenção do público que assistia ao show dentro do pavilhão. A segunda explosão, na caixa de força da estação elétrica, pode ser ouvida dentro dele como um ruído abafado, mas nada que provocasse inquietação. Os artistas só eram avisados à medida que deixavam o palco e de forma discreta. A plateia só foi informada perto do final do show, quando o compositor e cantor Gonzaguinha subiu ao palco e disse: “Pessoas contra a democracia jogaram bombas lá fora para nos amedrontar”.[7]

Com a chegada a perícia, mais dois artefatos explosivos são fotografados dentro do Puma.[8]:587 Pouco depois, um dos seguranças do Riocentro aproxima-se dos destroços do carro onde estão dois homens que se identificam como capitães do exército. Com a chegada da polícia, o local em volta é isolado. As redações de jornais começam a receber informações sobre o atentado e algumas delas recebem ligações anônimas informando que um tal “Comando Delta” havia agido no Riocentro para “acabar com manifestações subversivas”. [6]

Desdobramentos

Logo após o fracasso do atentado, a linha dura do Exército e o SNI iniciaram um esforço conjunto para tentar encobrir o caso.

DOI do Rio de Janeiro (subordinado ao I Exército) divulgou um comunicado dizendo que os passageiros do Puma estavam no local a serviço, colhendo dados sobre uma possível ação subversiva. Homens ligados ao Exército informavam aos jornais que os agentes do DOI tinham sido vítimas da bomba, a qual teria sido posta entre o banco direito e a porta do carro enquanto o capitão tinha ido urinar e o sargento saíra para “esticar as pernas”.

Foi aberto um inquérito policial militar sobre o caso, e o indicado para presidi-lo foi o coronel Luís Antônio do Prado Ribeiro. Pouco tempo depois, ele já estava convencido de que os passageiros do carro eram os autores do atentado. No entanto, Ribeiro renunciou à presidência do inquérito, possivelmente por pressão de membros da “comunidade de informação”.

O coronel Job Lorena de Sant’Anna assumiu em seu lugar. O coronel havia comparecido ao enterro de Rosário, onde leu um discurso que declarava que ele fora vítima de um ato terrorista, corroborando a versão divulgada inicialmente pelo Exército, embora várias evidências a desmentissem. Uma delas era o fato da genitália do sargento ter sido destruída, o que não aconteceria se a bomba estivesse do lado do banco. Além disso, os homens do DOI carregavam duas granadas. Imagens delas apareceram inclusive no Jornal Nacional, mas, pressionada pelos militares, a Rede Globo voltou atrás e anunciou que as imagens eram de extintores de incêndio.

Outros fatos foram ignorados pelo inquérito. A caminho do hospital, o capitão Machado pediu que telefonassem para um certo número e relatassem o acidente a Aloísio Reis. Esse era o codinome do coronel Freddie Perdigão Pereira, que, à época, trabalhava no SNI mas já fora membro do Grupo Secreto, organização radical de direita, famosa por realizar atentados a bomba. O número era de um telefone do DOI.

No Puma, foram encontrados documentos em nome do capitão Machado, mas a placa era falsa. Isso contraria a afirmação de que os militares estariam a serviço no local, já que nessas situações se usava um carro oficial.

O fracasso nas investigações do atentado e do envolvimento da linha dura do regime no episódio levou à renúncia do ministro chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva. Apesar de todas as evidências, o caso foi arquivado e só foi reaberto em 1999, quando o ex-chefe do SNI, general Octávio de Medeiros, disse que soube do atentado uma hora antes que acontecesse; posteriormente declarou que a informação lhe fora dada pelo general Newton Cruz, que já saberia do plano um mês antes.[10] Mas segundo a narrativa de Cruz, ele próprio só teria sido informado, uma hora antes do atentado, que se planejava no DOI do Rio um atentado contra o Riocentro. E essa informação teria sido obtida pelo coronel Perdigão. Quatro anos depois de deixar o poder, o general Golbery do Couto e Silva, fundador do SNI, contou que “o Medeiros [general Octávio Aguiar de Medeiros, chefe do SNI] disse que o Riocentro tinha sido coisa do Coelho Neto [general José Luís Coelho Neto], mas hoje em dia eu não sei se ele realmente tinha elementos para dizer aquilo. O fato é que ele disse”.[11]

Em maio de 2014, a Justiça Federal, atendendo a pedido do Ministério Público Federal, determinou ao Exército Brasileiro que lhes fossem encaminhadas as folhas de alterações de quatro oficiais da reserva, denunciados, juntamente com outros réus, por crimes neste atentado. Segundo a denúncia, os militares reformados Wilson Luiz Chaves Machado, proprietário do Puma no qual teria ocorrido a explosão, Nilton de Albuquerque CerqueiraNewton CruzEdson Sá RochaDivany Carvalho Barros e o ex-delegado Cláudio Antônio Guerra devem responder pelos crimes de homicídio tentado, formação de quadrilha ou bando, transporte de explosivos, fraude processual e favorecimento pessoal. Em julho de 2014, O Tribunal Federal da 2ª Região concedeu habeas corpus a quatro dos oficiais da reserva denunciados por julgar que os crimes estariam prescritos.[12]

 

Reabertura do caso

Novas provas surgiram dezoito anos depois daquilo que poderia ter sido o maior atentado terrorista urbano da história do Brasil. Diante disso, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados solicitou a reabertura do caso. A procuradora da República Gilda Berger aceitou o pedido, considerando que o caso não era coberto pela Lei da Anistia, nem estava prescrito: a anistia se aplica apenas aos crimes cometidos entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, enquanto a prescrição ocorreria em 30 de abril de 2001.

Após três meses de investigações, o general Sérgio Conforto, encarregado do novo inquérito policial-militar (IPM) do Riocentro, encerrou seu trabalho apontando a responsabilidade de quatro militares pelo atentado. O coronel Wilson Machado, que estava no Puma que explodiu, foi indiciado por homicídio qualificado, por ter assumido o risco de uma ação que poderia causar a morte de Guilherme (pena de 12 a 30 anos). Wilson Machado foi indiciado também pela antiga Lei de Segurança Nacional, crime que está prescrito. O general da reserva Newton Cruz, ex-chefe da Agência Central do SNI, foi indiciado por falso testemunho (dois a seis anos) e desobediência (um a seis meses). Newton Cruz foi indiciado também por prevaricação e condescendência criminosa, mas só responderá por falso testemunho e desobediência. Conforto concluiu que havia provas para indiciar o sargento Guilherme do Rosário, morto na explosão, e o coronel Freddie Perdigão, chefe da agência do SNI do Rio em 1981 e que morreu em 1996. Descobriu-se que Freddie Perdigão havia planejado o atentado.

O IPM, com 270 páginas, foi enviado ao procurador-geral da Justiça Militar Kleber Coêlho, para que oferecesse denúncia ao Superior Tribunal Militar (STM).[13][14]

Em 4 de maio de 1999, o caso Riocentro foi, arquivado pelo ministro civil do STMCarlos Alberto Marques Soares. Segundo ele, o poder de punição do Estado teria cessado, ou seja, mesmo que surgissem novas provas, nada mais poderia ser feito, já que uma decisão anterior do STM enquadrou o caso na Lei da Anistia.[15]

Em 29 de Abril de 2014, a Comissão Nacional da Verdade apresentou um relatório preliminar sobre o caso afirmando que o atentado fez parte de uma ação articulada do Estado Brasileiro.[16]

 

Documento vem a público 31 anos depois

O jornal Correio do Povo teve acesso a memorandos datilografados e também manuscritos do ex-comandante do DOI-Codi, Julio Miguel Molina Dias,[17] morto a tiros quando chegava à sua residência em Porto Alegre na noite de 01 de novembro de 2012, no qual o coronel registra a mobilização que se instalou naquele quartel-sede da espionagem política do Brasil, imediatamente após a explosão do Rio centro.

São ordens, contraordens e telefonemas com a finalidade de evitar que fatos e versões indigestas ao Exército viessem à tona. O coronel Molinas redigiu parte desses memorandos, divididos em dias, horas e minutos.

A BOMBA

Quinta-feira, 30 de abril de 1981

O relatório de atividades externas do Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio descreve a movimentação da unidade naquele 30 de abril de 1981. Batizada de Missão 115 — Operação Centro, a ação previa que os militares fizessem a espionagem do show no Rio centro, celebração do Dia do Trabalhador, que virou manifesto contra a ditadura. Foram escalados dois agentes, com previsão de saída às 18h40min e retorno às 4h20min, usando um Fusca. Outros dois, de forma clandestina, usaram um Puma particular. Por volta das 21h15min, tudo seguia na rotina até uma bomba explodir no Puma em que estavam os dois integrantes do DOI-Codi. À noite, de próprio punho, o coronel Júlio Miguel Molinas Dias, comandante do DOI-Codi, fez o relato de como foi informado do atentado. Ele assistia, em casa, à primeira partida da final do Campeonato Brasileiro de 1981, no Estádio Olímpico, vencida pelo Grêmio por 2 a 1.

Intervalo do jogo do Grêmio x São Paulo, telefonema do agente Reis (codinome de um militar). Disse que um cabo PM telefonara avisando que haveria um acidente com explosivo com uma vítima. Deu o nome quente Dr. Marcos…

Doutor Marcos era o codinome do capitão Wilson Luiz Chaves Machado, chefe da Seção de Operações do DOI-Codi, ferido na explosão. O relato do coronel Molinas continua, falando de como foi informado da morte do sargento Guilherme Pereira do Rosário, ao manipular a bomba:

(…) Por volta das 22h30min, cheguei ao órgão… dirigi-me à vaga n.1 do comando. (…) O Dr. Wilson (codinome de outro agente), que estava na operação, chegou logo a seguir. O agente Reis, que já chegara, avisou que recebera outro telefonema do mesmo elemento, dizendo que um sargento estava no local, irreconhecível.

A partir daí, o coronel anota, minuciosamente, como foi a longa noite pós-atentado:

23h30min — O Globo (talvez referindo-se à notícia que ouviu na Rádio Globo ou na TV) – estouraram duas bombas no estacionamento, destruindo dois carros e uma moto. No segundo carro não houve vítimas.

23h30min — Dr. Araújo (codinome de oficial) telefona para saber o que houve.

Molinas relata o estado de saúde do capitão Wilson, motorista do Puma e ferido na explosão:

23h30min — Hospital Miguel Couto…Tá sendo operado, vísceras do lado de fora. Estado grave.

De próprio punho, o coronel registra que foram dois os explosivos levados para o Riocentro:

23h35min — Uma bomba na casa de força (central de energia do Riocentro) e uma no carro.

Às 23h45min, Molinas afirma ter telefonado ao coronel Leo Frederico Cinelli, chefe do serviço de inteligência do 1º Exército, relatando os fatos. Minutos depois, recebe notícias de alguém sobre o sargento morto e registra:

23h50min — O Robot (menção a quem carrega bomba) está morto. Tem uma granada que estava no carro e botaram no chão.

Sexta-feira, 1º de maio de 1981

As anotações de Molinas prosseguem madrugada adentro. Ele trata da remoção do corpo do sargento para o hospital:

0h40min — Coronel Cinelli — Falamos sobre a ida da perícia da PE (Polícia do Exército) à paisana e a retirada do corpo.

1h01min — Tenente-coronel Portella liga ao HCE (Hospital Central do Exército) para receber o corpo do Robot (sargento Rosário).

À 1h05min, Molinas recebe ligação de uma pessoa, à qual identifica com Dr. Rodolfo, atualizando notícias sobre o capitão Wilson Machado, ferido na explosão:

1h05min — Está sendo operado, dilaceração nas vísceras.

A partir daí, as anotações se tornam esporádicas:

4h24min — Um Chevette aberto cinza metálico com bagageiro placas RT-1719 estava ao lado do carro Puma, com um emblema do 1º BPE.

6h05min — Justifico telefonema dizendo que está na cirurgia, Dr. Marcos (codinome do capitão ferido), ortopédica nos braços.

17h — Fui para casa.

Sábado, 2 de maio de 1981

Molinas retorna ao DOI-Codi e manda recado ao capitão ferido para que não se pronuncie a respeito do acidente:

8h30min — Chegada ao destino (…)Transmitida mensagem ao Dr. Marcos (codinome do capitão ferido) para não fazer esforço para falar, tranquilizando-o.

(…) Comandante do DOI e comandante do 1º Exército foram para o enterro e hospital.

Foi dada ordem para oficial de permanência ficar em tempo integral no DOI.

 

A Farsa

Ainda no dia 2, um manuscrito com letra diferente à do coronel Molinas Dias revela uma tentativa de encobrir a autoria do atentado. Foi anotada (talvez por um ordenança do coronel) a necessidade de encontrar o carro particular do sargento morto e providenciar o seu recolhimento ao DOI-Codi. O objetivo pode ter sido evitar que material comprometedor, dentro do veículo, fosse apreendido pela Polícia ou fotografado pela imprensa:

Foi feito contato com a secretaria de segurança para localizar o carro do Wagner (codinome do sargento morto) e comunicar ao DOI (carro roubado). Existe uma equipe de sobreaviso para “puxar” (levar) o carro.

A anotação segue:

Foi mandado ao 1º Exército (coronel Cinelli) as fotografias das placas com VPR para aproveitamento na imprensa.

A frase de Molinas Dias só ganhou sentido tempos depois, quando ex-integrantes da ditadura revelaram que agentes do DOI-Codi picharam placas de sinalização de trânsito nas imediações do Riocentro com a sigla da organização de luta armada de extrema esquerda Vanguarda Popular Revolucionário. O objetivo dos militares com a pichação era atribuir a autoria do atentado à VPR. Seria uma explosão planejada para botar a culpa em esquerdistas, como descreve o ex-delegado da Polícia Civil Cláudio Guerra no livro Memórias de uma Guerra Suja.

O coronel Molinas Dias avança seu memorando pelo dia 2 de maio, relatando supostas ameaças de bomba na casa do capitão ferido e no hospital Miguel Couto:

13h01min — Família do Dr. Marcos (codinome do capitão) liga para o Dr. Carmelo (codinome de um oficial) no hospital e participa a existência de um embrulho suspeito na porta do apartamento. O Dr. Carmelo telefona ao Dr. Maurício (codinome), oficial permanente, que esta providenciando o deslocamento de uma equipe para o local. (…) sob o tapete da porta de entrada tem uma bolsa do Carrefour de material translúcido e dentro tinha dois pães, um inteiro e outro faltando um pedaço.

As supostas ameaças contra integrantes do DOI prosseguem ao longo do dia 2:

16h10min — O delegado Tufic, da 14ª DP, telefona para dizer que recebeu dois telefonemas anônimos dando conta de que o capitão Paulo Renault iria jogar uma bomba no quarto do capitão hospitalizado.

16h18min — Telefonema para a residência do capitão Paulo Renault, que não atende.

16h20min — Ligação para a portaria do prédio que diz, possivelmente o capitão estaria viajando.

Conforme o blog do jornalista Ricardo Noblat, o capitão seria um Paulo Renault, engenheiro eletrônico, perito judicial e também ex-agente do Serviço Nacional de Informação (SNI). Em 2005, esteve envolvido no escândalo da CPI dos Correios. Estaria disposto a fazer revelações em depoimento à Justiça, mas desistiu ao ter a casa metralhada.

O dia 2 de maio de 1981 continua interminável, nas anotações de Molinas. Agora surge outra notícia de plano para matar o oficial ferido, talvez uma manobra para enfatizar que o capitão do DOI-Codi tinha sido vítima de um atentado

16h45min — Dr. Wilson (codinome de oficial) liga dizendo que o pessoal do hospital acha bom chamar o plantão policial e a imprensa, dizendo que tinham conhecimento de um plano para eliminar o Dr. Marcos (o capitão ferido).

E continuam as supostas ameaças no dia 2, tentando transformar o capitão de terrorista em vítima. Molinas pede segurança:

22h25min — Telefonema do Dr. Marino (codinome de um oficial) avisando de um telefonema anônimo para o Hospital Miguel Couto, avisando que colocariam um petardo na casa do Dr. Marcos (capitão ferido).

22h30min — Telefonema para o o tenente-coronel Roberval e pede providências junto à PM.

Domingo, 3 de maio de 1981

Molinas anota telefonema recebido de um colega coronel:

8h25min — Telefonema do coronel Prado, dizendo que o JB (Jornal do Brasil) tem reportagem em que um médico diz que o capitão estaria em condições de falar. O assunto é tratado com o coronel Cinelli.

Mais tarde, outro telefonema — ainda mais preocupante — fala que os agentes se tornam suspeitos de explodir a própria bomba que os feriu:

15h50min — Agente Hugo (codinome de policial) liga dizendo que o segurança do Riocentro está comentando que o atentado seria nosso.

Para mudar o foco e jogar a culpa do atentado fracassado no Riocentro na esquerda, Molinas rascunha uma lista de incidentes anteriores, como a suposta tentativa de ataques a unidades militares. O texto é datilografado e enviado ao coronel Cinelli.

Antecedentes — Viemos apresentar alguns fatos que comprovam a intenção das esquerdas em atingir os órgãos de segurança, em especial os DOIs, tanto no campo da agressão física como em ações psicológicas com objetivo único de desmantelar o aparato repressor ou destruí-lo.

No final de 1980 ficaram encarregados de eliminar o Exmo senhor general Antônio Bandeira, no Sul do país… O atentado seria com risco da própria vida.

Molinas conclui:

Face aos atos e fatos apresentados, somados a uma orquestração pela imprensa, acusando os DOIs como responsáveis por tudo que ocorre de mal contra as esquerdas (…) cada elemento do órgão passou a ser um alvo de justiçamento. (…) Quanto ao atentado em si, qualquer conclusão cairá no campo da especulação, correndo o risco de atentar contra a honra e a integridade de um oficial e de um sargento.

Segunda-feira, 4 de maio de 1981

O diário é recheado de documentos. Um deles, um ofício que chega ao DOI-Codi do coronel Luiz Antônio do Prado Ribeiro, encarregado do inquérito policial-militar (IPM) que investiga o atentado. Ele convoca o coronel Molinas Dias para depor às 14h do dia seguinte no 9º andar do Palácio Duque de Caxias, sede do comando 1º Exército.

Quinta-feira, 7 de maio de 1981

Uma relato datilografado informa que às 17h40min, o capitão ferido foi do CTI para a sala de radiografia. E aparece no CTI uma mulher, vestindo calça e jaleco branco, se dizendo médica, perguntando ao PM da segurança onde é o CTI. A mulher usa sapato verde e o PM desconfia dela. O crachá está virado e, ao desvirar, lê “visitante do IBGE”. A mulher é levada para fora do hospital e embarca em uma Brasília do Jornal do Brasil.

Sexta-feira, 9 de maio de 1981

Documento confidencial relata um telefonema ao DOI-Codi, às 15h, repassando dados sobre uma mulher de nome Mariângela ou Ângela Capobianco e o local do trabalho do marido dela. O interlocutor descreve a mulher:

“Mais ou menos 45 anos, estatura média, meio gorda, cabelo pintado de caju. É importantíssima, está autorizada (muito cuidado). Trabalha na diretoria de vendas ou arrecadação”.

Para entender: Ângela era uma diretora do Riocentro e, segundo livros sobre o tema, é suspeita de ter colaborado com os militares. Após afastar das funções o chefe de segurança do Riocentro, na noite do atentado, ela teria sido responsável pelo fechamento com cadeados da maioria dos portões de saída da área do show. A medida, em caso de explosão de uma bomba, poderia amplificar o número de vítimas.

Em 2014, Ângela Capobianco foi identificada pela Comissão Nacional da Verdade[18][19] como sendo uma agente do SNI, uma das pessoas encarregadas dos preparativos do atentado. Documentos do ex-comandante do DOI-Codi, Julio Miguel Molinas Dias, o Coronel Molinas, registram fatos e participantes nos preparativos para a explosão das bombas no Rio.[20][21]

No programa Linha Direta de 2004, anteriormente aos fatos apurados pela Comissão Nacional da Verdade, Maria Ângela foi entrevistada como a gerente do Rio Centro na ocasiao.[22]

Quarta-feira, 13 de maio de 1981

Documento afirma que, às 22h de 10 de maio, no bar do Hospital Miguel Couto um homem, em voz alta, acusa o DOI-Codi pelas bombas colocados no Riocentro e no jornal Tribuna da Imprensa. O homem e um amigo dele são levados para a 14ª DP. Lá são interrogados e liberados. São eles: José Augusto Alves Neto, da Rádio JB, e Carlos Vieira Peixoto Filho, do JB (jornal).

Datado deste dia, um manuscrito contém duas perguntas e respostas atribuídas ao agente Guarany (amigo do sargento morto) sobre as habilidades com bombas do agente Wagner (codinome do sargento morto):

Wagner é técnico em explosivos? Não

Qual o curso ou estágio que fez: Nenhum. É um autodidata

Quarta-feira, 20 de maio de 1981

Em um documento reservado, enviado ao chefe do serviço de inteligência do 1º Exército, Molinas comunica os nomes dos agentes do DOI-Codi escalados oficialmente para “cobrir” o show: sargento da Aeronáutica Carlos Alberto Henrique de Mello e o soldado da Polícia Militar Hirohito Peres Ferreira. O ofício afirma que o chefe da Seção de Operações, capitão Machado, e o sargento Rosário (os vitimados na explosão no Puma) foram ao Riocentro para supervisionar a equipe. Seria a primeira vez que o nome de Machado e Rosário aparece em um documento oficial como tendo participado da desastrada Missão 115.

Segunda-feira, 25 de maio de 1981

Documento confidencial encaminhado às unidades militares pelo comando do 1º Exército sob o título “Atentado Terrorista no Riocentro – informação 312/81” determina ponderação, serenidade e isenção diante de “notícias apresentadas por certos setores da comunicação sensacionalistas e alguns políticos, que muitas vezes não correspondem à verdade”.

O documento afirma que o coronel Luiz Antônio do Prado Ribeiro, encarregado da investigação militar do atentado, foi substituído, pois está “baixado no HCE (Hospital Central do Exército) desde 18 de maio para observação, foi submetido à junta de saúde, cuja ata do exame recomenda que lhe sejam concedidos 30 dias de licença para tratamento de saúde”.

Anos depois, viria a público a versão de que Ribeiro foi afastado do inquérito porque se recusara a acatar ordens superiores. Teria sido, inclusive, chantageado para reunir provas que apontassem grupos de esquerda como autores do atentado.

 

Referências

  1.  Gasparetto Jr., Antonio. «Atentado ao Riocentro». Infoescola. Consultado em 15 de julho de 2017
  2. ↑ Ir para:a b Chico Otavio e Juliana Castro (16/02/2014). “Com novas provas, MP denuncia seis pessoas no caso Riocentro” (em português). O Globo. Consultado em 19 de maio de 2016.
  3. ↑ Ir para:a b Tales Faria (2/05/2012). “A primeira confissão do atentado ao Riocentro” (em português). iG Brasília. Consultado em 19 de maio de 2016.
  4. Ir para cima Lisboa, Vinicius. «Atentado do Riocentro foi “ação articulada do Estado”, diz CNV». EBC. Consultado em 15 de julho de 2017
  5. Ir para cima Jornal O Globo. (15 de outubro de 1978). «Frases». Consultado em 7 de março de 2017
  6. ↑ Ir para:a b c d e «Atentado do Riocentro». CPDOC/Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 15 de julho de 2017
  7. ↑ Ir para:a b c dos Santos, Jorge Fernando. «Vandré – O homem que disse não». Consultado em 15 de julho de 2017
  8. ↑ Ir para:a b c Laque, João Roberto (2010). Pedro e os Lobos. [S.l.]: Ava Editorial. p. 638. ISBN 978-85-91053-70-4
  9. ↑ Ir para:a b c Elio, Gaspari. «A atualidade do Riocentro chama-se impunidade». Folha de São Paulo. Consultado em 15 de julho de 2017
  10. Ir para cima JB Online (15 de fevereiro de 2008). «Morre o general que negou o caso Riocentro»Terra Networks
  11. Ir para cima «A atualidade do Riocentro chama-se impunidade»Por Élio GáspariUniverso Online
  12. Ir para cima CBN Foz do Iguaçu (2 de Julho de 2014). «Justiça concede habeas corpus a 4 denunciados por caso Riocentro». CBN Foz do Iguaçu. Consultado em 29 de julho de 2014
  13. Ir para cima «Radiobras. Sinopses». Radiobras.gov.br
  14. Ir para cima «Novo inquérito indicia dois militares e muda versão do atentado de 1981 que marcou a abertura política»Revista Época. Epoca.globo.com. 25 de outubro de 1999
  15. Ir para cima Dados vol.47 n°. 4 Rio de (Janeiro de 2004). «Superior Tribunal Militar: entre o autoritarismo e a democracia». Scielo.br
  16. Ir para cima Agência Brasil: Atentado do Riocentro foi “ação articulada do Estado”, diz CNV
  17. Ir para cima Polícia Civil irá investigar morte de coronel do Exército na Capital: Correio do Povo | Notícias | Polícia Civil irá investigar morte de coronel do Exército na Capital, acesso: 5/8/2015
  18. Ir para cima – COMISSÃO NACIONAL DA VERDADe – RELATÓRIO PRELIMINAR DE PESQUISA CASO RIOCENTRO: TERRORISMO DE ESTADO CONTRA A POPULAÇÃO BRASILEIRA – (documento em pdf) – Abril 2014, acesso: 5/6/2015
  19. Ir para cima Comissão considera que tortura foi também um crime contra a humanidade — Portal Brasil, accesso: 5/6/2015
  20. Ir para cima Veja o cronograma e as anotações do coronel sobre o caso Riocentro – Zero Hora, accesso: 5/6/2015
  21. Ir para cima O Jornal do Estado – 30 de Abril de 1981: O Atentado do Riocentro, accesso: 5/6/2015
  22. Ir para cima LINHA DIRETA JUSTIÇA – A Bomba do Riocentro, accesso: 5/6/2015

Bibliografia

  • Ministério do Silêncio, Lucas Figueiredo, editora Record
  • Dez reportagens que abalaram a ditadura, organizado por Fernando Molica. Ed. Record, 2005. O Caso Riocentro mereceu dois capítulos, com a transcrição, comentada pelos próprios autores, das matérias publicadas pelo jornalista Antero Luiz Cunha no estado de São Paulo e por Fritz Utzeri no Jornal do Brasil.

Ligações externas

 

POR QUE AS INÚMERAS IDEIAS DE INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO NÃO ENCONTRAM O SEU FIM PRÁTICO?

Por: GERALDO HOULY LELIS DE FREITAS

RESUMO: Este artigo discute as dificuldades e os entraves que as propostas inovadoras de educação enfrentam para se consolidar na prática pedagógica, a exemplo da doutrina construtivista. Priorizam-se as discussões acerca da política e da gestão da educação atual a partir de uma análise crítica de seu processo histórico e de sua dependência com relação às diretrizes da reprodução do sistema capitalista. O problema não está nas ideias e nem nos esforços para a constante e sempre inacabada tarefa de promover a melhoria da educação, mas nas condições objetivas desfavoráveis para a realização em curto prazo, restando para a maioria, à tentativa frustrada de reconciliação ou de reformas com o sistema de educação nacional.

Inicialmente, com maior força na Europa ocidental do final do século XIX, as influências da ciência positivista na educação institucional são percebidas principalmente pelo empenho atual dos profissionais da educação em negar ou questionar a efetividade desse modelo para a prática pedagógica atual. Essa corrente “antipositivista” conquistou inúmeros adeptos em meados do século XX com as sanguinárias guerras mundiais e uma onda de críticas ao ideal positivista do progresso. Quando debruçada sobre as perspectivas teóricas e as doutrinas do campo pedagógico: behaviorista, psicométrico ou docimológico, cognitivista, histórico-social e construtivista, Fátima Maria Leite Cruz (2010), em Avaliação das aprendizagens, analisou os rastros do paradigma positivista que defende a partir da compreensão da existência de leis naturais que, independentemente da ação humana, existem e explicam determinados processos de aprendizagem sem levar em conta a complexidade da produção de saberes humano, ainda estão em evidência na prática pedagógica atual. Fátima Maria Leite Cruz (2010) destaca a doutrina construtivista como a melhor possibilidade de superar essa armadilha da mecanicidade do aprendizado pregado pelo positivismo em sua lógica científica deficiente, excludente e seletiva.

A abordagem positivista para a educação atual já não atende mais nem as expectativas dos alunos e nem dos professores, porque não dizer da própria sociedade do século XXI. Por que então ela ainda predomina nas escolas? Selva Guimarães Fonseca (2003) entende que a escolha deste modelo no caso do ensino de história está associada aos interesses da formação do Estado brasileiro no século XIX. A passagem para o século XX demonstrou progressos e regressos para o sistema de educação nacional. Desde as intervenções governamentais em período de exceção como foi o Golpe Militar de 1964 com a imposição de determinados interesses para o ensino da história às pressões populares para as reformas do ensino durante a redemocratização do país no qual sucedeu a criação da LDB que assegurou medidas importantes para melhorar a qualidade da educação do país. A tentativa de impor limitações para as ciências humanas nas escolas pela vontade do Conselho de Segurança Nacional em controlar e reprimir as opiniões contrárias à ditadura militar é um exemplo claro para a compreensão da educação como antes de tudo um campo político conflituoso. Juan Manuel Álvarez Méndez explica os problemas relacionados a essa lógica não inclusiva do modelo clássico na educação. Para o Juan Manuel Álvarez Méndez, “um dos problemas apresentados pelo modelo da racionalidade técnica ao ser aplicado à avaliação é que exige que o professor transfira o conhecimento a respostas precisas e inequívocas. Nele, a aprendizagem é algo que se pode medir, manipular e, inclusive, prever. Os testes, que adotam a forma de provas objetivas de apresentação distinta, desempenham um papel relevante nesse raciocínio. Os usos que foram feitos deles transcenderam os valores educativos para derivar em sutis, porém potentes, instrumentos para exclusão e a marginalização” (MÉNDEZ, 2002, p. 32). O objetivo da escolha positivista das avaliações pelo professor, ou mesmo na prática do ensino não se limita a clivagem daqueles que aprenderam (nota igual ou superior a média esperada) e dos que não aprenderam, mas também incorpora juízos de valor aos estudantes que vai além do espaço escolar, uma vez que alcança a percepção da família e de todos os que com o aluno ou com a escola interagem. É possível perceber que esse paradigma de ensino criou e enquadrou os alunos em um sistema de identidades homogêneas e distantes próprias do campo cultural na educação. O que representa um aluno nota 10 e um aluno nota 7? Um aluno disciplinado e um indisciplinado?

AS RAÍZES HISTÓRICAS DA ESCOLA INSTITUCIONAL

A história do construtivismo no Brasil registra a sua “chegada” (para não dizer origem) na década de 1980, de lá pra cá, o sistema de educação institucional ainda persiste com práticas pedagógicas não inclusivas e “meritocráticas” do modelo positivista. Quais os principais entraves que dificultam os avanços para o engajamento da educação com as necessidades da sociedade atual? A configuração das instituições de ensino como se apresenta material e imaterialmente, ainda é, em parte, uma apropriação do que foi inventado no século XVI. Naquele contexto histórico, as escolas eclesiásticas serviram para atender as necessidades da Igreja póstridentina de propor um modo eficaz de ensinar as crianças desde cedo à doutrina católica, em contrapartida, evitar o avanço das crenças protestantes. Na obra Vigiar e punir, Michel Foucault (1987) percebeu que a prática escolar pretendida pelos discursos iluministas do progresso não se concretizou após a Revolução Francesa e a consolidação na França do Estado laico, pelo contrário, o espaço escolar e a lógica de ensino ainda reproduziam o paradigma clerical, sendo aos poucos ressignificados aos moldes do sistema capitalista. Os discursos progressistas da época não alcançaram o êxito esperado na transformação da vida escolar dos europeus. Hoje, as teorias pedagógicas influenciadas pelo pós-modernismo também estão ameaçadas de não saírem do papel. A escola não goza mais do poder de monopolizar os “espaços de saberes” tal como pretendia as primeiras universidades católicas do século XII, nem de posicionar-se como “o lugar da verdade” tal como almejavam os iluministas do final do século XVIII. A escola do século XXI, compreende José Carlos Libâneo, “tem concorrentes poderosos, inclusive que pretendem substituir suas funções, como as mídias, os computadores e até propostas que querem fazer dela meramente um lugar de convivência social” (LIBÂNEO, 2007, p. 24). A escola tem futuro? Eis o título da obra organizada por Marisa Vorraber Costa. Não é novidade que a educação na história do Brasil, quando foi tratada, privilegiou as elites ricas. Enquanto colônia, não havia sentido para a coroa portuguesa investir na educação daqueles que só tinham serventia para a exploração do trabalho. Além disso, um regime de escravidão desumano e violento no qual os negros não tinham nem sequer direito sobre si mesmo completava a total falta de interesse na questão. Os que almejavam “os tesouros” da educação tinham de investir altas somas de recursos para pagar todos os custos de vida na Europa, pelo menos, até os primeiros decretos para a construção de escolas de ensino superior, possível naquele momento com a residência da coroa portuguesa no Rio de Janeiro em 1808. A Constituição de 1824 apenas corroborava essa distinção social e a preocupação legal cabia apenas investimentos a formação de médicos, bacharéis de direito e militares. Influenciado pelos ideais liberais, o direito à educação tornava-se uma busca pessoal e particular do indivíduo no qual o Estado pouco deveria intrometer-se sob-risco de provocar desequilíbrios e crises sociais. Para os partidários do liberalismo, o direito à educação tinha tudo a ver com o mercado de trabalho; para os conservadores, o ensino deveria privilegiar a moral e a ordem, a escola serviria para “regenerar ou higienizar o indivíduo”, formá-lo para a convivência social. Os esforços ainda no Brasil imperial de promover a instrução primária esbarravam na dura realidade da exploração do trabalho infantil. A criança na escola significava prejuízos com a produção. E quem arcaria com os prejuízos de crianças e de jovens desprovidos de educação? Como bem demonstrou Maria Cristina Teixeira (2008) em O direito à educação nas constituições brasileiras, em sessenta e quatro anos o Brasil promulgou sete constituições, no que tange à educação, todo esse período foi marcado por avanços e regressos de políticas conciliatórias com a dinâmica do capital, ou seja, conquistas de “vinte anos” se perderam em alguns meses, como foi o caso da Constituição de 1967 que desobrigava as esferas públicas da alocação de recursos mínimos ao sistema de educação. Cabe ressaltar que a aprovação de leis (especialmente as mais progressistas) não significou necessariamente a sua aplicação e obediência na prática. Além disso, as esferas municipais, estaduais e federais “alternaram” (não sucessivamente) em sua competência na gestão de políticas educacionais o que prejudicava o andamento de projetos e de programas que ora era competência das Câmaras Municipais (1828), ora das Assembleias das Províncias (1834), ora do Poder Legislativo (1934), ora da União (1946), em seguida complementada por empresas comerciais, industriais e agrícolas (1967).

A ESCOLA ESTÁ PARA A SOCIEDADE, ASSIM COMO A SOCIEDADE ESTÁ PARA A ESCOLA

O trabalho O sujeito e a relação com o saber de Bernard Charlot (2003) ao questionar as teses de ciências sociais (sociedade) e de psicologia (indivíduo) dirigidas à educação apresenta uma importante sugestão de como as relações entre a escola, o meio social e o sujeito devem ser vistos, não mais de forma isolada ou dicotômica, e sim, imbricadas. Qual o sentido para o aluno de frequentar a escola nos tempos atuais? A falta de autoridade e autonomia dos professores de um lado e a indisciplina dos alunos do outro revela parte da indisposição do sistema de educação? Seriam os alunos mais “adaptados” a vida escolar aqueles que obedecem às regras sem questioná-las e conseguem reproduzir de forma impecável aquilo que lhes foi ensinado? O que faz o aluno ter prazer em ir para a escola e aprender? O espaço escolar atual não se restringe mais ao ponto de vista de políticos, de gestores ou de professores, os alunos e a comunidade não podem ser excluídos desse processo sempre inacabado de construção do sistema de educação. A escola com alunos, carteiras e quadro; professor sob a responsabilidade ao mesmo tempo de ensinar e de supervisionar a disciplina de dezenas de discentes, numa relação predominantemente assimétrica, reproduz ainda em sua dinâmica de valores uma cultura completamente desarticulada com as necessidades atuais. A escola não mais se restringe ao caráter habitual no qual foi relegada por séculos. As inovações tecnológicas aceleradas propiciam aos alunos diferentes formas de interação e constantes oportunidades de aprendizagem que transcendem a sala de aula. O espaço escolar passa a ter um significado diferente do que um dia já foi e que agora precisa ser para atender ao seu papel social. Para Alice Miriam Happ Botler, Melania Santos de Lima e Wiviane Alves Dias em Gestão Democrática: Implicações da Participação da comunidade para a Melhoria da Organização da Escola a lacuna ou o gap existente entre a autonomia democrática garantida pela Constituição da República Federativa de 1988 e a efetiva participação dos intervenientes na gestão das escolas ainda é profunda, distante do ideal democrático. Explicam os autores, “o objetivo é construir uma verdadeira educação com o máximo de contribuição e participação dos membros da comunidade, o que nos leva a perceber que uma gestão de qualidade implica em um trabalho coletivo. Então, toda ação planejada pela escola deverá ser pensada de modo que todos os envolvidos na comunidade escolar juntamente com a comunidade extraescolar devam se envolver para tornar o serviço ofertado pela escola suficiente e satisfatório a todos os membros envolvidos no processo” (BOTLER; LIMA; DIAS, 2012, p. 6). Logo, não se trata apenas de convocar a comunidade e recolher as “doações”, é preciso criar um elo de permanente compromisso e de participação e isso não depende apenas de uma predisposição de ordem legal, mas de uma política e gestão engajadas na delegação de poderes, ainda mais, no compartilhamento deles junto aos processos decisórios da escola. A lei por si só não assegura o processo democrático nas escolas. Com base na teoria da reciprocidade do cientista social Marcel Mauss no qual um “pacto social” se estabelece acordado entre dois grupos por uma conexão de trocas/intercâmbios materiais (de caráter não mercantil e utilitarista) chamado de dons/dádiva. Marcel Mauss não está dizendo que essas comunidades também não faziam trocas comerciais, porém o seu objeto é exatamente as trocas materiais (e espirituais) não comerciais. Sendo assim, a natureza central da reciprocidade está associada com o significado simbólico da tríplice obrigação de “dar, receber e retribuir” estabelecida entre sujeitos por uma sequência de dons/dádivas indissociáveis de suas relações humanas. Logo, trata-se de um modelo complexo de interação que permeia cada aspecto da vida social pela geração de amplos valores de vinculação e pertencimento. A esse respeito, Alexandre Simão de Freitas explica: “Nas sociedades modernas, o conceito de equivalência e a separação das esferas pública e privada veio a subsumir uma formalização adequada do caráter vinculatório que o princípio da reciprocidade enuncia” (FREITAS, 2011, p. 68-9). Nesse sentido, a contribuição de Alexandre Simão de Freitas é fundamental para compreender que, na ótica da teoria da reciprocidade, princípios e valores da prática coletiva antes incorporada como formas inquestionáveis de cooperação mútua passaram agora a ser necessariamente mediados pelo Estado como representação máxima do poder público. Portanto, o Estado seria esse elemento “neutro e mediador” no qual se procura garantir “democraticamente” (ou não) as condições de cooperação social através da garantia jurídica de direitos. Isso significa que as pessoas não mais possuem as experiências de uma cooperação social vinculada com o sentimento de pertencimento a comunidade, elas são concebidas numa sociedade alheia deste processo cultural, por isso a necessidade e a dependência para com o Estado. Este, entendido ampla e equivocadamente como a instituição reguladora e protetora do “bem comum”. Em O papel do professor (a) na consolidação da gestão democrática na rede municipal do Recife de Maria do Socorro Vitor, Vânia Claudia Barbosa Wanderley, Alice Botler e Ana Lúcia Borba (2005) investigam a contribuição dos diretores, vice-diretores, coordenadores e professores na gestão escolar de um colégio pertencente à Rede Municipal de Ensino da Cidade do Recife, a Escola Municipal de Iputinga fundada em dezembro de 1988, logo “nascida” sob as diretrizes da gestão democrática garantidas pela constituição. A conclusão do artigo é muito significante porque destaca não só a importância da atuação dos atores sociais que compõem o espaço escolar (inclusive a comunidade), mas também a relação entre o comprometimento desses indivíduos quando inseridos nas instâncias de poder com certa autonomia e com espaço permanente para as suas opiniões.

A ARMADILHA DA ADMINISTRAÇÃO CIENTIFICISTA E A INCOERÊNCIA NOS VALORES DA EDUCAÇÃO

Os pressupostos acerca dos problemas da falta de comprometimento e do descaso dos intervenientes com o sistema de educação não se explica apenas observando as aparências das relações diárias dentro da dinâmica do funcionamento de uma escola. Sem compreender os processos históricos que constituem os discursos políticos hegemônicos e as relações de poder e os antagonismos de classes no qual influenciam diretamente as políticas, a gestão e a prática escolar, o pesquisador metafísico se desviará da história e associará os problemas encontrados com o campo cultural pela impossibilidade de comprovar suas hipóteses diante das condições materiais. Em Planejamento educacional e a “modernização” da gestão educacional em Pernambuco, Ana Lúcia Arruda (2013) demonstra as políticas do Estado de Pernambuco no governo de Eduardo Campos para o planejamento estratégico da educação através da execução de teorias da administração de empresas privadas como modelo de gestão das escolas, acompanhando um processo histórico mundial que relaciona o sentido da educação com metas e resultados a ser alcançados, isto é, com pouca ênfase nos meios e nos processos para alcançá- los. A autora aponta os mecanismos de controle que foram sendo efetivados gradualmente nas redes escolares aqui em Pernambuco, desde o PROGESTÃO em 2000 pela Secretária de Administração e Reforma de Pernambuco até a implantação da política de recompensas por resultados em 2007, que busca acima de tudo a produtividade e o desempenho máximo das escolas através da gestão de valores quantitativos comparáveis. A cultura da concorrência desenfreada entre as escolas públicas estaduais mediada por indicadores de produtividade propõe de certo modo a “sobrevivência dos mais fortes”, em outras palavras, daqueles que conseguem alcançar as metas, atender às “expectativas” do mercado. O incentivo a performatividade escolar é construído sob o modelo neoliberal, que prevê um Estado mínimo em suas responsabilidades sociais, uma vez que a “lógica de mercado” (automaticamente) forçará a média de qualidade e desempenho para cima. Os modelos cientificistas da administração de empresas ressignificados pela lógica neoliberal voltada estritamente para os resultados (números) e as “leis do mercado” são adotados pelo Estado e impostos através de políticas educacionais as escolas nos âmbitos federais, estaduais e municipais. O Estado como instância centralizadora de poder submete de “cima para baixo” através da burocracia as diretrizes a serem seguidas, punindo a instituição escolar e todos aqueles (intervenientes) que se desviam das metas. Interessante destacar o sentido contraditório desse “ciclo vicioso”: as escolas consideradas de qualidade (atingiram as metas) recebem mais recursos do que as “deficientes” (não atingiram as metas), ou seja, as instituições com dificuldades e sem recursos ficam esperando “milagres” ou terminam sofrendo com as mudanças repentinas de uma administração mais rígida e punitiva para se “adequar” ao perfil gerencial “moderno”. A autonomia e a inovação da escolha do projeto pedagógico nas escolas, previsto no artigo 15 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e na Constituição Federal de 1988, não conseguem se sobrepor aos interesses materiais do Poder Executivo. Por que a legislação e a transformação cultural não são suficientes para garantir uma escola democrática? NAS AMARRAS DA BUROCRACIA A escola inclusiva se prepara para receber a todos os alunos independentemente de sua condição e crença. Ela compreende o aluno como cidadão que tem o direito à educação e, dessa forma, assume  compromissos políticos e responsabilidades sociais, desenvolvendo procedimentos pedagógicos para acolhê-los. As diferenças sejam elas de classe, de gênero, de nacionalidade, de nível de aquisição educacional, de condição física ou intelectual motivadas por necessidades especiais, longe de instigar a formação de preconceitos representam fatores motivacionais de investimentos, de inovações pedagógicas, de pesquisas e políticas educacionais. Amplia-se assim o acervo de experiência educativa no sentido de promover a educação como direito social essencial para o desenvolvimento da sociedade e assegurado pela legislação brasileira. As diferenças não apenas dos alunos, mas também dos intervenientes responsáveis pelo espaço escolar devem ser apreciadas em sua diversidade de experiências num sentido de cooperação e não de competição como vem sendo realizado. A gestão democrática tem papel fundamental para reverter esse paradigma (competição x cooperação) estimulado pelas políticas públicas, mas isto não se faz a partir dos diretores de escola. O estudo de Iágrici Maria de Lima Maranhão e Luciana Rosa Marques (2014) em Os mecanismos de participação social na escola comprova que somente por força de lei, o Estado não garante a participação efetiva da comunidade nos processos democráticos do espaço escolar, e nem a comunidade em curto prazo faz valer os seus direitos de participação. Esse sentimento de pertencimento ao meio vai além da mera tentativa estatal de usar os mecanismos de determinação legal para propor uma política educacional democrática no país a partir da Constituição de 1988. O sentimento de pertencimento ao espaço escolar não tem a lei como um fim, apenas como um meio subjetivo e legitimador de uma prática material e real. Portanto, uma coisa é promover e incluir a comunidade, outra bem diferente é a sua participação ativa, o que inclui a delegação de poderes. A inclusão democrática da comunidade nas dimensões da prática escolar conforme orienta a legislação nacional não é cumprida rigorosamente desde sua criação até os dias atuais, por consequência, a comunidade (em suas poucas exceções) não se sente verdadeiramente parte integrante e responsável pelo funcionamento do sistema institucional de educação no país. A consequência disso são os poderes legais previstos em lei da comunidade em representar a sua vontade no conselho escolar serem “delegados” para o gestor da escola. Em Pernambuco, desde a gestão de Eduardo Campos em 2007, os diretores indicados pela comunidade são escolhidos pela Secretária de Educação (uma prática antidemocrática), faz um curso de gestão organizado pelo governo e assina um termo de compromisso com as metas do governo. Seguindo os estudos de Per-Erik Ellström (1984) apud Licínio Lima (2011), sobre os modelos de gestão educacional, logo se percebe as divergências quanto aos “objetivos e preferências organizacionais” e as “tecnologias e processos organizacionais” entre as propostas racional, político, de sistema social e anárquico. O texto A escola como organização educativa de Licínio Lima (2011) de onde é citado o excerto acima deixa bem claro os problemas do excesso de burocratização do sistema escolar em domínio das teorias da administração neoclássica adotada oriundamente pelas redes de ensino britânico e incorporadas em quase todo o sistema escolar da esfera ocidental ao longo do século XX.

Texto completo em: http://www.periodicos.unir.br/index.php/LABIRINTO/article/viewFile/1750/1611

The CIPRES Science Gateway V. 3.3

arvore-da-vida

The CIPRES Science Gateway V. 3.3 é um recurso público para a inferência de grandes árvores filogenéticas. Ele é projetado para fornecer à todos os pesquisadores com acesso a NSF XSEDE, grandes recursos computacionais através de uma interface simples navegador. Agora também é possível acessar esses mesmos recursos programaticamente com a CIPRES REST API .

Códigos paralelos de desempenho elevados para o Grande Árvore Inferência e alinhamento de sequências em XSEDE:
RAxML ; MrBayes ; BEAST ; BEAST2 ; Garli ; mafftDPPDIV ; FastTree, jModelTest2 e Migrate-N . Se você precisa de acesso a PhyloBayes , por favor consulte.

Códigos seriais para Tree Inference:
PAUP * (Inferência por Parcimônia); Poy  (alinhamento e inferência);

Códigos de série para Sequence Alignment:
ClustalW ; Contralign ; MUSCULARES ; PROBCONS ; PROBALIGN

Códigos paralelos atualmente suportados pela CIPRES Cience Gateway

Código Versão Língua Compilador Computador Cores
cobrado
biblioteca MPI enfiando outro Software
FERA 1.8.3 Java Cometa 2-48 Java BEAGLE 2.1
BEAST2 2.3.2 Java Cometa 1-3 Java BEAGLE 2.1
DPPDiv 1.0 C ++ GNU Gordon 16 pthreads
FastTree 2.1.8 C Intel Cometa 2 OpenMP
Garli 2.0.1 C ++ Intel Cometa 1 a 24 OpenMPI NCL 2.1.18
jModelTest2 2.1.6 Java Gordon 8 Java PhyML 20120412
mafft 7.187 C Intel Gordon 8 pthreads
MrBayes 3.2.6 C Intel Gordon 8 ou 16 mvapich2 BEAGLE 2.1
Migre-N 3.6.11 C Intel Cometa 1-72 mvapich2
PhyloBayes 1.5a C ++ Intel Gordon 64 mvapich2
RAxML 8.2.8 C Intel Cometa 12, 24, ou 48 OpenMPI pthreads

 

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https://mega.co.nz/#F!9QhWHbTI!oarMp7t3tzyY_yu08KHoEQ

Hardware

https://mega.co.nz/#F!oIZW3AzQ!LqcZV5fNLLmsxKfXAl6EtA

Introdução aos Sistemas Operacionais

https://mega.co.nz/#F!oZpVgbTR!MnX35yBQTexHPm4J8nIP2A

Linux

https://mega.co.nz/#F!YNg3xYhY!KQxsOV5rOF4ZhZm5LaiTwQ

Linux Essentials

https://mega.co.nz/#F!sBZhXDAI!NCWJslFznUXBaymdg_kmuA

Lógica de Programação Usando Python

https://mega.co.nz/#F!QAZ31aYY!JtCs0a5who41VK3jNsBa4Q

OYS pentest – Curso Teste de Invasão em Redes e Sistemas

https://mega.co.nz/#F!dVQkDTIQ!MLNKb5ZELHuIarpqHA0HxQ

Programação WEB

https://mega.co.nz/#F!AQQU3LYI!MIYAsxFZtfFTxpIqfHfIBg

Redes

https://mega.co.nz/#F!NMh1SZQC!5CKtEXGJy2JrIafPhvUuew

Segurança

https://mega.co.nz/#F!MN402QIb!_S4Jg-opFAFQVtl3lR4yJQ

Sistemas Operacionais

https://mega.co.nz/#F!JJAVwQAC!FB-jqhynRl_3CUuNzt7oMw

Software Livre

https://mega.co.nz/#F!EMgUkKxI!Wmv2SRC5bQNiLaZdbNBa9w

Teste de Invasão em Redes Sem Fio

https://mega.co.nz/#F!AUQwgIpa!NFW83TBeph3-7A7-LZqy4Q

Apostila HTML CSS

https://mega.co.nz/#!8FpXjbKB!11EMXK2wdfH3OC5BseR0PMbT9MYSGO%20tMtJrfiv5umEE

Artigo – wireshark

https://mega.co.nz/#!pc43VIpR!qy50wLU0yM7TsaeJtNu7RdaFw88BId%20VmDxCqd_E7ouQ

Curso Android Básico

https://mega.co.nz/#!pRAglZqB!hxJ9kG6dvUVukuT5tKQFMzf7_2jKdx%20V4SjM-IFzl2ns

Curso Banco de dados SQL e Modelagem

https://mega.co.nz/#!QYZSlCLB!FudRrApaiBV1oshkcHo2Rm38KeKSk1%20i_WN_0G84Q41M

Curso completo de Python

https://mega.co.nz/#!pEwA1IBL!REq1z_rnrc-ttqhEI-aGnxHcxc__0x%20gix5F98CwCkKI

Curso Linux

https://mega.co.nz/#!JIxVgYTZ!2aVR4SMtttlGoaEbTl7NGXa8n_VuhE%20K9XzjrlchSqss

Curso ipv6

https://mega.co.nz/#!xd50wAjA!sXt5m6tdZkZ_0ppNw7RKAw9gWgNYsM%20qVR12tr9FoTvM

Hackeando Mentes

https://mega.co.nz/#!kIBzmYAQ!VEYe_yI1Q6xBBsq_m5yvv_eIG3DH3n%20Xbp2AKkqLly88

Hacker inside

https://mega.co.nz/#!9ZgSyCCY!sBTV9Mva-fCYw5QKF0TkJfolcDsuox%20KqadjDqrjQTIM

Kevinmitnick a arte de enganar

https://mega.co.nz/#!INJglDRQ!H1KGBLTP9pEWtfZrp5VAbspu0Uo_Me%20_hkvtNh4B3Dm0

Banco de dados

https://mega.nz/#F!edRGmCIC!RS7TIjy7Krd4blcpLk2_hw

Computação Forense

https://mega.nz/#F!LVZgyKxT!0UEl9uphWKK5XN2iHo2ZTg

Curso inglês

https://mega.nz/#F!rMQW2CiD!nUNJvZ1nIeRHBMx33Vw8oQ

DeepWeb

https://mega.nz/#F!SdACSJSL!ck9c2S2FvjdI-L1ji-8JkQ

Edição de imagens

https://mega.nz/#F!vFIGFBpI!eRnEOpNziIS_mZx4IAIUsg

Engenharia de software

https://mega.nz/#F!ScwiGDhY!mFZz6mdkPMGVs5_6ZPOQeQ

Hacking

https://mega.nz/#F!vVoUhSrY!CCRwM3BC7U31BaAFZHl5SQ

Introdução a sistemas operacionais

https://mega.nz/#F!3doigIaC!pbDI81QC_3K2sD-Y08i1_g

Microsoft office

https://mega.nz/#F!KE4h2KQJ!ARugbDhPAqm9WWet6R606g

Normas para a apresentação de trabalhos acadêmicos

https://mega.nz/#F!2YpWWYrQ!njzFN2wdEjcL-n48ouCwvA

Programação WEB

https://mega.nz/#F!Lc4jwILR!YjIOrB8spSKjbwHmNvP8hQ

Redes

https://mega.nz/#F!vdIXgCRB!LpBx2GGbuthGu7FLHL5CsA

Segurança

https://mega.nz/#F!bFgHiBZB!XHC6bDoVYO3JEMJzf3pPmg

Sistemas operacionais

https://mega.nz/#F!fBxDULYK!g6jOZV3cjXwLYzuWhqCUnA

Software Livre

https://mega.nz/#F!HFABDDgQ!eH-cL2wdBu5y_fbY8yV78A

Teoria da computação

https://mega.nz/#F!rRwjTSiC!QOCkako5vL8sIarKYrZHPA

Vídeo aulas

https://mega.nz/#F!iJgkhDRI!LcvTfLA5rRUe1fwdqa1BUA

São tantos cursos que não dá nem pra mencionar aqui do que eles tratam, mas tem coisa muito boa lá, e grande parte deles são bem atuais, tratando sobre Web, Deepweb, Programação, Pentest, Hacker, Linux. Office, Idiomas, e muitos mais.

+BONUS DE MAIS 380GB em cursos ainda não catalogados:

https://mega.co.nz/#F!98cg2TSR!1q1OctEo3sOq25J11JAbOg

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https://mega.nz/#F!tsNijbTR!Qj–39YrI4RsIwu6NTrfTQ

http://suporteninja.com/mais-de-300gb-de-cursos-em-ti-para-download-no-mega/

( Na verdade tem mais de 600GB de conteúdo)

Conheça o Sci-Hub: o Pirate Bay dos artigos acadêmicos

http://sci-hub.io/

scihub

A filosofia é exatamente essa: dar acesso livre a todos os artigos científicos publicados – até agora, e também no futuro. Esse propósito está, aliás, estampado na página de abertura da plataforma (http://sci-hub.io), que clama ser a primeira a prosseguir, e a concretizar, este objetivo. Com quase 50 milhões de artigos no seu portfólio, deve estar, aliás, muito perto de conseguir disponibilizar tudo quanto já se publicou no universo das revistas científicas.

Consultando

O site funciona em três etapas. Primeiro, quem busca algum artigo insere o link ou o código DOI da obra a qual deseja ter acesso. Depois, a plataforma tenta baixar o artigo solicitado buscando por uma cópia no banco de dados LibGen, um banco de conteúdo pirata, que hospeda mais de cem milhões de livros (provavelmente aquele PDF que você nunca encontrou no Google está lá), e que abriu suas portas para trabalhos acadêmicos em 2012 e agora contém mais de 48 milhões de artigos científicos.

No entanto, a terceira etapa é a parte engenhosa do sistema: se LibGen ainda não tiver uma cópia do documento, o Sci-Hub tem uma segunda maneira de ignorar o pedido por pagamento da revista científica: o compartilhamento de senhas. O site conta com uma rede global de compartilhamentos de senhas e acessos a proxies de universidades que disponibilizam para seus estudantes o conteúdo aberto de algumas publicações científicas.

Isso permite que o Sci-Hub encaminhe o usuário direto para o PDF do artigo que ele quer acessar, através de senhas ou proxies universitários, editoras como JSTOR, Springer, Sage e Elsevier. Depois de entregar o artigo para o usuário em questão de segundos, o Sci-Hub doa uma cópia do documento para LibGen, sendo desnecessário acessar novamente o site da universidade na próxima requisição, e o artigo fica então armazenado para sempre, acessível por todos e qualquer um.

Fonte: http://partidopirata.org/conheca-o-sci-hub-o-pirate-bay-dos-artigos-academicos/

A importância dos jogos na aprendizagem da matemática

Título: A importância dos jogos na aprendizagem da matemática
Autor: Santos, Manuel
Orientador: Ramalho, Rui
Palavras-chave: Jogos de estratégia
Teoria dos jogos
Jogos matemáticos
Ensino da matemática
Data: 2010
Citação: SANTOS, Manuel – A importância dos jogos na aprendizagem da matemática.Porto : [ed.autor], 2010. 70 f.Trabalho de projecto não editado.
Resumo: Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da Pós Graduação TIC em Contextos de Aprendizagem. Começamos por abordar alguns modelos de aprendizagem e a importância dos jogos no processo de ensino-aprendizagem da Matemática. Analisamos alguns jogos de estratégia e de cálculo. Fizemos uma pequena incursão pela Teoria dos Jogos de John Nash. Fizemos referência a alguns projectos desenvolvidos no âmbito deste curso nomeadamente de produção de objectos de aprendizagem. Finalmente, usando uma técnica de investigação sociológica (inquérito fechado) procuramos saber a opinião dos professores sobre a utilização e importância dos jogos na aprendizagem da Matemática. As conclusões mais relevantes que tiramos foram que todos os professores inquiridos entendem que os jogos contribuem para motivar os alunos e uma esmagadora maioria pensa mesmo que contribuem para o sucesso dos alunos na disciplina.
This work was developed in the bounds of Post Graduation in ICT in Learning Contexts. We have started to explore some learning models and the importance of games in the learning-process of Mathematics. We have analyzed some games of strategy and calculation. We have done a little research by John Nash´s Games´ Theory. We have made some references to some projects developed in the bounds of this course namely the production of some learning objects. Finally, using a sociological technique investigation (closed inquiry) we tried to know from the teachers the utilization and importance of Mathematics´ games in the learning process. The most relevant conclusions we took, were that all the inquired teachers perceive that the games contribute to motivate students and a large majority really thinks that they contribute for the students´ success in the subject.
URI: http://repositorio.esepf.pt/handle/10000/375
Aparece nas colecções:
PG TIC em Contextos de Aprendizagem

http://repositorio.esepf.pt/bitstream/10000/375/2/PG-TIC-2010_ManuelSantos.pdf

MIT Media Lab: https://scratch.mit.edu/

Realidade Aumentada em Sala de Aula – 9

Note: A versão up-to-date deste documento está sempre incluído no subdiretório Documentação da distribuição fonte Vrui.

Em nível de usuário Documentação

Estes são os conteúdos atuais do manual do usuário Vrui:

Using Vrui Applications
Uma introdução à interface de usuário do aplicativo Vrui no ambiente de trabalho.
Components Defining a Vrui Environment
Uma introdução à forma como Vrui entende ambientes imersivos de exibição.
The Vrui Display Area and its Coordinate System
Uma introdução à configuração do sistema de exibição Vrui a um determinado ambiente de realidade ou desktop virtual.
Using Desktop Input Devices with Vrui
Um guia para o uso de dispositivos de entrada de desktop, como joysticks ou spaceballs com aplicações Vrui.
Setting up and Calibrating a Vrui VR Environment
Um guia passo-a-passo para configurar um (multi-screen) Vrui ambiente e para calibrar dispositivos de entrada de 6 DOF.
Multi-window Rendering in Vrui
A explicação detalhada de como Vrui alças renderização para janelas múltiplas / displays, usando um cluster, várias placas gráficas dentro de um único computador, ou múltiplas saídas de vídeo em uma única placa de vídeo, ou qualquer combinação destes.
The Vrui Configuration File
Descrição da estrutura de base do ficheiro de configuração Vrui.
Vrui Configuration File Settings Reference
Lista de todas as configurações Vrui lê a partir de seu arquivo de configuração.
Vrui Tool Configuration File Settings Reference
Lista de todas as classes principais ferramentas Vrui, seus nomes de classe internas e as configurações podem ler a partir de suas seções do arquivo de configuração.
VR Device Daemon Configuration File Settings Reference
Lista de todas as configurações de driver de dispositivo VR autônomo de Vrui, VRDeviceDaemon, lê-se a partir de seu arquivo de configuração.
Recording and Playback of Vrui Sessions
Um guia sobre a facilidade de gravação de Vrui, que captura a interação de um usuário e uma faixa de áudio opcional para reprodução posterior.

Programmer-Level Documentation

These are the current contents of the Vrui development documentation:

The Vrui FAQ
Perguntas freqüentes sobre o desenvolvimento de aplicações com o kit de ferramentas Vrui.
Library Overview
Visão geral da funcionalidade fornecida por cada biblioteca que compõem o kit de ferramentas Vrui.
Development Rules
Uma coleção dos pros e contras de desenvolvimento de aplicações Vrui.
GLContextData
Descrição detalhada da separação entre Estado contexto por aplicativo e per-OpenGL em aplicações Vrui. Leitura obrigatória se um desenvolvedor quer criar aplicativos que mantêm estado OpenGL, como listas de exibição, objetos textura, buffers de vértice, ou programas de sombreamento.
Input Handling in Vrui
Uma descrição de como lida com Vrui entrada do usuário, traduzindo medições de hardware do dispositivo de entrada de baixo nível e eventos em funções de nível de aplicação, tais como navegação ou seleção / arrastamento. Em construção.
O código-fonte Vrui
Use a fonte, Luke!

http://idav.ucdavis.edu/~okreylos/ResDev/Vrui/index.html