O amor mais falado que vivido

“Vivemos um tempo de secreta angústia: o amor é mais falado que vivido”

zygmunt

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman

Texto de Luciana Chardelli

Link: http://www.revistapazes.com/amor/

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Sexualidade: Reflexões sobre Relacionamentos Amorosos na contemporaneidade

*Jefferson Cliffiton Nepomuceno de Sousa
*Luís Bruno de Meneses Santo
**Antonieta Lira e Silva

IntroduçãoO presente artigo tem como objetivo principal refletir sobre os relacionamentos amorosos na contemporaneidade e a partir destas reflexões, identificar a evolução do amor e do sexo na atualidade, bem como os aspectos psicossociais envolvidos. Para tanto, iremos analisar a evolução dos relacionamentos amorosos deste a antiguidade até os dias atuais, focando na dinâmica das relações sexuais amorosas da atualidade. A reflexão sobre relacionamentos amorosos é uma temática bastante discutida, porém atual e relevante diante de nossa atualidade.

Erotismo e Pornografia

 

*Por Fabiano Puhlmann Di Girolano

 

Sexualidade é componente fundamental de todo ser humano, é uma modalidade global do ser nos confrontos dos outros e do mundo, vinculando-se a intimidade, a afetividade, a ternura, a  um modo de sentir e exprimir-se, vivendo o amor humano e as relações emocionais e afetivo – sexuais; é contato, relação corporal, psíquica e sentimental, é o desejo voltado a pessoas e objetos, é sonho, prazer, mas também sofrimento; é pressentimento do futuro, consciência e plenitude do presente, memória do passado, sentimentos que se alternam, se cruzam de modo imprevisível, exigindo uma progressiva capacidade de compreensão e aceitação, sempre vinculadas a intensas sensações corpóreas.

Mídia e Sexualidade na Educação Infantil

“refletindo sobre a atuação da indústria cultural e a construção da identidade de gênero na educação infantil”

*por Acúrsio Esteves

Introdução

Diferente do que se pensava há algumas décadas atrás, a criança em nosso contexto social desde cedo estabelece vinculação direta do seu cotidiano com situações de experiências ligadas ao desenvolvimento da sexualidade. A profusão e diversidade de informações aliadas à permissividade gerada talvez pelo desejo da negação do preconceito e a vontade de fazer diferente da experiência vivida, faz com que a família a escola e a sociedade no afã de acertar, muitas vezes se confundam e por extensão às próprias crianças na construção da sua sexualidade.

A nossa história de vida comporta uma visão pouco nítida quando não negativa da sexualidade, independente de gênero ou classe social. A grande maioria das pessoas, incluídos aí profissionais de educação, percebe o comportamento sexual como algo obscuro, pois, tiveram base da construção da sua sexualidade, os estigmas de uma sociedade preconceituosa. Este comportamento, em parte significativa, é fruto da cultura judaico-cristã, na qual o sexo é exclusivamente destinado à reprodução e aceito apenas dentro do casamento. Essas pessoas não conseguem identificar este fator negativo em suas vidas e muitas vezes solidificam o conceito de relações sexuais como uma coisa vergonhosa.

Aliás, o primeiro documento de referência do nosso país, a Carta de Caminha, inicia a nossa história confirmando este preconceito até hoje em voga:

“Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram”. …”então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir, sem buscarem maneira de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas”.(BRASIL,1500)

Segundo Negrine (1994), “quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história, construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica” …“é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica”.

Nesta bagagem de conhecimento e nesta proposta pedagógica deverá estar contemplado, é claro, a plena construção da sexualidade. Os professores, que muitas vezes ocupam o lugar vago de mãe ou pai, são por excelência formadores de opinião e um modelo a ser seguido. A sua contribuição positiva ou negativa na formação da identidade sexual dos seus alunos está intimamente ligada a sua forma de conduta e ação no cotidiano sendo assim, a adoção por estes profissionais de uma postura repressiva, conformista ou emancipatória será sem dúvida por eles assimilada. Um grande obstáculo, porém, para este acerto é uma questão de linguagem: enquanto o professor dialoga na velha roda de amigos o aluno o faz na internet, na sala de bate papo… on-line. Nada que não se supere.

Para ter uma melhor compreensão e trabalhar com a sexualidade infantil é necessário que o professor repense e avalie a sua própria sexualidade, seus valores e a forma como age dentro do processo educacional. Esta reflexão sobre os seus princípios, remete à consciência das suas atitudes, dos conceitos e preconceitos que possui em relação ao sexo. Como os professores favorecerão a construção da sexualidade de seus alunos se não forem desafiados a repensarem a sua?

Na perspectiva de compreender o comportamento erotizado da criança na educação infantil, começamos a refletir sobre as vivências corporais e comportamento sexual das crianças nesta faixa etária, e foi inevitável estabelecermos uma relação direta entre a indústria cultural e tal fenômeno. Neste contexto, a mídia, principalmente a radiofônica e a televisiva, determina como modelo ideal um corpo perfeito e um comportamento que destaca a sexualidade exacerbada, através de uma valorização excessiva da beleza física, da sedução e da sensualidade, tendo como objeto principal o consumo. Este é o modelo feminino. O modelo masculino sugere um comportamento machista caracterizado pela violência e o menosprezo pela mulher. Estes estereótipos remetem as pessoas a um modelo ideal e exclui todos que não se enquadrarem no citado perfil. Inclusive as crianças. A análise de como este fenômeno se instala na educação infantil e a busca de solução para o problema são as questões norteadoras desta reflexão.

Gênero. Uma Identidade em Formação

A abordagem que daremos neste trabalho sobre a formação de gênero, pressupõe uma origem não essencialista, cujo discurso argumenta “uma natureza sexual universal e as diferenças marcadas pelo aparato biológico”. (RIBEIRO, 2003). Acreditamos numa formação de gênero de origem sócio-cultural., onde a família, a escola, a igreja e a sociedade como um todo moldam a formação da sexualidade do sujeito. Na nossa sociedade as meninas ainda são preparadas, salvo raras exceções, para exercerem um papel de coadjuvante do homem: “por traz de um grande homem, tem sempre uma grande mulher” ( POPULAR). Elas podem, e às vezes devem demonstrar fragilidade e chorar. Alíás, elas são “treinadas” para usarem estas duas últimas características como arma de sedução. Têm também lugar de destaque no rol de características desejáveis para elas a beleza, a passividade, a delicadeza dos modos, a afeição às coisas do lar (prendas domésticas), o desinteresse sexual, a simplicidade, a fidelidade e a submissão ao homem. Esta última vitima milhões de mulheres cristãs praticantes, pois, textualmente a Bíblia ensina como modelo de comportamento feminino:

Que a mulher aprenda em silêncio, com total submissão. A mulher não poderá ensinar nem dominar o homem. I Timóteo 2:11-12. O marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja. Do mesmo modo que a igreja é submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo aos maridos. – Efésios 5:22-24. Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-á atraída para o teu marido, e ele te dominará. Gênesis 3:16 (Bíblia Sagrada, 1969).

Por outro lado, os meninos ainda são vítimas de uma cultura que valoriza o estereótipo masculino segundo o qual homens não choram, não demonstram sentimentos, são namoradores, isto é, estão sempre disponíveis e aptos para o sexo; são “fortes” em contraposição às meninas ”fracas”, brincam com armas e tem que ser “espertos” (lei de Gerson?), competitivos e corajosos. Estas características desejáveis no menino justificam plenamente a declaração de Júnior, 20, da dupla Sandy e Júnior ao periódico Isto É Gente de julho de 2004: “Beijo na boca desde os 6 anos. Foi com uma amiguinha da família. Sempre fui terrível”, afirma o cantor, enquanto a irmã Sandy, carrega uma aura de pureza e virgindade, sob constante vigilância paterna pois, “toda donzela tem um pai que é uma fera” (POPULAR).

Estes tipos de comportamento que definem os papeis sexuais na sociedade são reforçados por desenhos animados, vídeos-game, filmes e um sem número de super-heróis que banalizam e inocentam tais atitudes ao mesmo tempo em que as sacraliza. Estes são comportamentos esperados e até mesmo cobrados neles. No decorrer da vida, uma simples falha (sexual ou não) pode desmoronar este castelo e originar uma série de conflitos, muitas vezes difíceis de sanar.

A forma pela qual fomos educados é decisiva para a construção da nossa identidade sexual, pois, aprendemos a agir baseados nos parâmetros tidos como aceitáveis para os indivíduos do sexo masculino e feminino. Desde a mais tenra idade, a divisão de tarefas e responsabilidades no próprio lar, juntamente com as nossas experiências sexuais, direcionam a uma educação sexista. Esta construção quando bem orientada é fundamental para que nos reconheçamos como homem ou mulher e definamos a nossa orientação sexual sem traumas, insegurança, e com respeito às diferenças. A estas diferenças adquiridas e advindas da educação formal ou não, distintas para crianças de sexos diferentes no mesmo ambiente social chamamos de gênero. O padrão de gênero pressupõe a construção de uma identidade sexual baseada em hábitos culturais, norteados pela predominância de um modelo social seja ele conservador ou libertário, machista ou feminista, anárquico ou democrático ou ainda as suas várias combinações.

Desta forma concordamos com Scott 2004, na afirmação de que o entendimento de gênero reflete ”uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado”, que no nosso caso, reflete uma sociedade delineada por um perfil patriarcal, patrilinear e machista. O conceito de gênero, portanto, se refere a um sistema de papéis e relações entre homens e mulheres, construído por meio de um processo permanente e que não é igual nas diversas culturas; irá diferir de uma sociedade para outra e pode ser modificado, dependendo da época. (AZEVEDO et. al.)

No caso da escola é urgente uma tomada de posição quanto à orientação a ser dada aos seus alunos. Neutralidade é conformismo, compactuação com o modelo dominante. É a reprodução deste modelo perverso, capitalista, neo-liberal, que vitima as nossas crianças com uma orientação preconceituosa onde ela, seja menino ou menina, será sempre a maior prejudicada. A criança como ser em construção, necessita de orientação adequada e cuidados especiais em casa e na escola, para o desenvolvimento sadio da sua sexualidade que deve ser oportunizado de forma natural e através de atividades lúdicas próprias do seu universo tendo a busca do prazer, objetivo maior das atividades humanas, como foco principal. É, porém, reminiscente para nós a imagem de uma escola preconceituosa, associada à idéia negativa de obrigações pela qual se abandona os prazeres de uma vida livre para nela ser encarcerado anos a fio. Como trocar de sã consciência a liberdade pela prisão, o prazer pelo dever? O ser humano vive em busca dele toda a sua vida. Graciliano Ramos, (1945) em Infância nos coloca de forma pungente a chegada de uma criança a escola, onde caricatura o medo da perda de liberdade e sentimento de abandono sentido por algumas crianças no período da educação infantil.

Dias depois, vi chegar um rapazinho seguro por dois homens. Resistia, debatia se, mordia, agarrava se à porta e urrava feroz. Entrou aos arrancos, e se conseguia soltar se, tentava ganhar a calçada. Foi difícil subjugar o bicho brabo, sentá lo, imobilizá lo. O garoto caiu num choro largo. Examinei o com espanto, desprezo e inveja. Não me seria possível espernear, berrar daquele jeito, exibir força, escoicear, utilizar os dentes, cuspir nas pessoas, espumante e selvagem. Tinham me domado. Na civilização e na fraqueza, ia para onde me impeliam muito dócil, muito leve, como os pedaços da carta de A B C, triturados, soltos no ar.

A nossa escola historicamente preconizou o controle dos corpos e a vigilância do prazer das crianças através de padrões estereotipados de comportamento masculinos e femininos, seja através de disciplinas que trabalham diretamente com a questão do corpo como a Educação Física, Dança ou Teatro ou implicitamente nas repreensões do dia a dia: “Não fique pegando ‘nisso’ que é feio!” (depois dizem que Deus fez tudo perfeito), “Homem não chora!” (e querem maridos sensíveis), “Uma mocinha não fica correndo por aí!” (e esperam mulheres independentes), “Menino brinca com menino e menina brinca com menina!” (depois reprimem e condenam a homossexualidade), dentre inúmeras outras censuras absurdas que se contradizem mais tarde. Quando às vezes já é tarde.

Interessante ressaltar que a mulher, seja mãe, madrasta, avó, babá ou professora, é a responsável histórica no nosso modelo de sociedade ocidental, pela educação da criança, e conseqüentemente, maior responsável pelo patriarcalismo e conseqüentemente pelo repasse da ideologia dominante que a inferioriza em relação ao homem. Paradoxo! As “infrações” mais ocorrentes das crianças na educação infantil que são duramente reprimidas com as frases populares comentadas acima e outras são: manipulação prazerosa da sua genitália, contacto corporal direto através de abraços e beijos (as vezes na boca), manipulação, comparação e ou exibição dos seus órgãos sexuais com os do(a) colega, demonstração de fragilidades como medo ou ansiedade (para os meninos), e curiosidades sobre as relações sexuais.

Estas expressões possuem várias formas de se apresentar: através de atos diretos, ou indiretamente quando embutidas em brincadeiras erotizadas ou não.

A brincadeira a pobre e a rica, “eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré”…, por exemplo, apesar de não ser erotizada tem um forte cunho sexista onde a distribuição de profissões reflete e reforça o padrão dominante. Outras, de forma mais direta como brincar de médico, de pai e mãe, deixam mais clara a intenção do contacto físico e definição de papeis. Uma terceira categoria, mais explícita, que a meu ver só representa risco quando é praticada por crianças de faixas etárias díspares, traduz comportamento sexual explícito como troca-troca, pai e mãe (numa fase mais avançada), salada de frutas e foguinho. Ainda são formas de manifestação sexual, desenhos de figuras humanas com ênfase nos órgãos sexuais, quando não desenhos apenas dos próprios órgãos, músicas, piadas, jargões e ditados populares dentre outras expressões verbais e mímicas.

O respeito à individualidade e características próprias da faixa etária, bem caracterizadas por Freud na área sexual e Piaget na área de educação, nosso marco referencial, e a busca da eliminação de preconceitos e tabus sociais devem nortear este trabalho, que tem como ideal a parceria escola e família.

*O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu.

Qual é a medida do prazer?

 

Por Náira Malze – *Com atualizações feitas pela entrevistada

Revista.AG (A Gazeta/ES)

 

 

Esse título pode surpreender – e até chocar – muitos machos que buscam provar a masculinidade justamente pelo órgão sexual. Mas, fisiologicamente, é a única explicação para a crença de que “tamanho determina o prazer”.

Como descreve a psicóloga clínica, mestre em desenvolvimento adulto e felicidade pela USP, Angelita Scardua: na anatomia masculina, há uma proximidade entre o ânus e a próstata, separados apenas pelo períneo. A próstata é responsável por grandes níveis de prazer. Tanto é que se estimulada leva à ejaculação e ao orgasmo. Considerando que ela é a parte mais sensibilizada durante o sexo anal – teria mais sentido dizer que o tamanho do pênis tem uma dose extra de significado nas relações homossexuais já que, durante a penetração, quanto maior o pênis, mais estimulada seria a próstata e maior seria a onda de prazer.

“As sensações prazerosas, associadas ao contato do pênis com a próstata, levariam aquele que é penetrado a desejar estender esse prazer por toda a extensão do reto alcançada pelo pênis. Isso criaria uma associação psicológica (e um condicionamento fisiológico) entre o tamanho do pênis e a quantidade de prazer durante a penetração”, detalha a psicóloga, também pós-graduada em neurociências.

Prazer feminino
Já a mulher não tem, do ponto de vista estritamente fisiológico, uma vagina preparada para receber um pênis grande, embora haja uma dilatação no canal vaginal quando ela fica excitada. E mesmo durante o sexo anal – apesar do ânus feminino possuir tantas terminações nervosas quanto o masculino – os homens têm a sensibilidade nervosa aumentada devido à proximidade do ânus com a próstata, o que não ocorre com as mulheres, cujo clitóris, fonte principal do prazer feminino, se encontra bem mais distante.

Entenda a fascinação pelo órgão
O homem encara o tamanho do pênis como determinante para se sentir “macho” ou não. Essa fixação começa na infância, quando mamães e titias fazem brincadeiras com o “luluzinho” dos pimpolhos, explica a psicóloga Angelita Scardua. Isso cria a percepção de que o pênis não é só parte da anatomia, mas algo a ser celebrado. Mais tarde, ele se dá conta de que, ao ficar ereto, o órgão aumenta e ainda dá prazer. Somando tudo, a equação masculina é: ter um pênis é uma vantagem. Um pênis aumentado é mais prazer sexual.

“Além disso, trazemos uma herança biológica e cultural: nos tempos primitivos, o tamanho do pênis era ligado à capacidade de gerar filhos, um símbolo de poder, já que – como ocorre ainda hoje no ambiente selvagem – a potência do macho era associada à capacidade de transmitir os seus genes, ou seja, de reproduzir. Logo, no imaginário primitivo – ainda ignorante quanto aos processos reprodutivos – quanto maior o pênis, maior capacidade reprodutiva. A herança afetiva dessa associação entre tamanho do pênis e poder sexual do macho é, mesmo em nosso tempo, alimentada e reforçada no imaginário coletivo pela produção cultural. Um exemplo são os filmes pornôs e seus atores com pênis de tamanho muito acima da média. Junte-se a isso a grande cobrança social por alta performance sexual, e sua vinculação cultural com a idéia de potência e masculinidade…não é à toa que o homem tenha passado a associar tamanho com prazer e virilidade. Logo, se um homem não tem um pênis grande, ou pensa que não é grande o suficiente, fica inseguro.

*A obsessão pelo tamanho de pênis é algo tão tipicamente masculino que os gays são muito mais ligados à idéia de pênis avantajado do que as mulheres. Afinal, em última instância, gays são homens. Ou seja, a sexualidade de homens gays é, em certo sentido, regulada pelas mesmas fantasias, estereótipos, crenças e valores que caracterizam o imaginário sexual de homens hétero. E nesse sentido, na hora “H”, o tamanho do pênis é muito mais importante para os homens, gays ou não, do que é para as mulheres”.

O tamanho médio do pênis do brasileiro
No Brasil, o comprimento do pênis varia de 12cm a 16cm, média suficiente para agradar à parceira, já que as terminações nervosas ficam do lado externo da vagina ou no início da parte interna.

Sobre a fisiologia feminina
Apesar da média de comprimento do canal vaginal feminino ser de 13 cm, é o primeiro terço do canal, isto é, cerca de 04 ou 05 cm, que apresenta grande sensibilidade nervosa. No mais, diversas pesquisas científicas têm demonstrado que, em termos de resposta fisiológica, na hora da relação, a maioria das mulheres preferem um pênis com maior circunferência (mais grosso ), do que um pênis com maior comprimento. A explicação para tal fato é que os receptores sensoriais concentram-se ao redor do canal vaginal, de modo que um pênis mais grosso tende a proporcionar maior fricção e atrito, logo, maior estimulação desses receptores, o que, obviamente, gera maior prazer para a parceira.

*No aspecto físico, o comprimento do pênis masculino não proporciona mais prazer para a mulher. Anatomicamente não há nenhum ganho para o prazer feminino que esteja relacionado ao comprimento do pênis, nada na anatomia feminina é beneficiado por um pênis acima da média. Contudo, a sexualidade de uma pessoa não depende apenas de fatores físicos , sendo afetada também por aspectos emocionais e culturais. Muito do que uma pessoa sente como sendo atraente ou prazeroso no sexo relaciona-se às crenças e fantasias que ela alimenta. Resumindo: se uma mulher acredita que um pênis grande pode proporcionar mais prazer, é possível que o tamanho do pênis seja realmente importante para a vida sexual dela. Mas, psicologicamente falando, essa crença precisa ser autêntica, precisa estar sedimentada num nível inconsciente. Não basta uma mulher querer parecer moderna, liberal, fogosa, etc., e apenas reproduzir um discurso que ela pensa ser “legal”, do tipo – “adoro pênis grande!”. Porque se essa preferência não for verdadeira, o emocional (o inconsciente) não terá força suficiente para minimizar os efeitos sentidos pelo corpo físico. E o corpo feminino, visto apenas pelo aspecto físico, não se beneficia de um pênis grande.

A Atração Interpessoal: Uma Visão Psicobiológica

 

 

 

 

 

 

Ao conhecermos alguém é freqüente, nos momentos iniciais de interação, formarmos uma primeira impressão dessa pessoa, impressão essa que é influenciada pelos seus comportamentos, pelo conhec

imento de como essa pessoa é e pela sua aparência física. Tal ocorre porque temos a crença de que não só os comportamentos como a aparência (aspectos físicos e comunicação não verbal) refletem características da personalidade, crenças e estilos de vida.

A importância da beleza

Uma relação pessoal forma-se frequentemente com o surgir de uma sensação inicial de afecto por outra pessoa. Um dos factores que mais contribui para que tal ocorra é a percepção de atratividade física.

Numa experiência de Walster et al. (1966) grupos de estudantes universitários eram aleatoriamente emparelhados entre si, ao que se seguia um encontro entre os diferentes casais. Apesar de terem acesso a informações sobre a personalidade e sucesso acadêmico do parceiro, o grau de satisfação dos encontros era principalmente influenciado pela atratividade física destes. Noutro estudo de Clifford (1975) verificou-se que os professores a que eram fornecidas informações acerca de um grupo de crianças (onde se incluíam as suas fotos), consistentemente consideravam as crianças mais bonitas como sendo mais inteligentes e tendo maior potencial acadêmico.

A beleza física, ao contrário do esperado pela psicobiologia, não se restringe pois ao campo romântico-sexual, parecendo abarcar um leque mais vasto de relações sociais. Poder-se-ia argumentar que a preferência por pessoas fisicamente atrativas se baseia meramente num prazer estético contemplativo mas a verdade é que existem estereótipos associados à beleza. Espera-se que as pessoas bonitas sejam calorosas, amistosas e socialmente confiantes. Num contexto de emprego, as pessoas bonitas são mais facilmente escolhidas em entrevistas de seleção por serem consideradas melhores profissionais. Os homens com uma face com esquema infantil são vistos como mais ingênuos, honestos e generosos do que outros com expressões mais maduras. São também considerados mais atrativos pela maioria das mulheres, em oposição à típica imagem de macho viril que seria de esperar pelas previsões biológicas. Este estereótipo pode também tornar-se uma profecia auto-confirmatória, tal como ficou demonstrado num estudo de Elizabeth Tanke e Ellen Berscheid (1977). Nesta experiência, grupos de homens iniciavam uma conversa telefônica com várias mulheres depois de terem visto uma suposta foto delas: nalgumas eram mostradas mulheres bastante atrativas e noutras não. Os homens que julgavam estar a falar com mulheres atrativas eram mais sociáveis, calorosos, interessantes e extrovertidos. Por sua vez, as mulheres tornavam-se elas também mais sociáveis, animadas e confiantes.

A importância da interação

As pessoas são atraídas por aqueles com quem conseguem estabelecer interações positivas: as pessoas com quem trabalham, com quem partilham os mesmos gostos, atitudes, valores ou histórias de vida. Até as pessoas que interagem mais freqüente por mero acaso tendem a gostar mais umas das outras. Um estudo de Festinger, Shachter & Back (1950) realizado numa residência para casais de estudantes mostrou que as amizades tendiam-se a formar entre aqueles que viviam mais perto uns dos outros. Os casais mais populares eram os que viviam nos apartamentos mais próximos das escadas ou da zona das caixas de correio, onde tinham mais oportunidade para interagir com os outros casais.

Existem três razões pelas quais gostamos daqueles com quem interagimos. Por um lado, a interação com os outros permite a percepção de controlo em relação ao mundo, seja através da partilha de preocupações pessoais com um amigo íntimo (o que contribui para uma melhor compreensão e modo de lidar com o problema) quer quando estamos inseguros de determinadas opiniões ou crenças. Neste caso, procuramos os outros para testar a sua validade. Quando a interação é recompensadora o resultado é sempre o mesmo: gostamos dessa pessoa. Outra das razões são os sentimentos de pertença e aceitação que derivam de uma interação calorosa. Como conseqüência tendemos a ligar-nos a alguém com quem nos sentimos relacionados. Por fim, outra razão tem a ver com um mero efeito de exposição. Mesmo na ausência de uma interação real, a familiaridade pode resultar numa sensação de afecto.

A importância da semelhança

A semelhança conduz à atração também por três razões. Em primeiro lugar, porque tendemos a interagir com quem nos é semelhante: mesma idade, religião, classe social ou interesses. A semelhança torna a interação mais provável mas também mais positiva visto que as pessoas já têm à partida algo em comum. Em segundo lugar, porque partimos do princípio que os nossos semelhantes vão gostar de nós. Por fim, porque os nossos semelhantes validam as nossas crenças e atitudes. Tendemos a gostar imediatamente das pessoas que partilham opiniões connosco, o que ocorre porque vemos as nossas características como desejáveis, como sendo as mais “corretas”.

A semelhança, o afecto e a interação são factores que se influenciam mutuamente. A semelhança encoraja a interação e quando as pessoas interagem descobrem ainda mais semelhanças. A interação cria afecto e este leva a maior interação visto procurarmos a companhia daqueles de quem gostamos.

O Amor

Algumas relações envolvem sentimentos de paixão (amor passional). Estas emoções podem surgir rapidamente e estão intimamente relacionadas com o desejo sexual.

A paixão constitui um caso especial entre os diversos tipos de atração interpessoal: a sua intensidade distingue-a facilmente da amizade e de outras formas intermédias de atração; o seu caráter efémero e vulnerável contrasta com a estabilidade e durabilidade das experiências de vinculação infantil ou com a aparente continuidade do amor conjugal; a idealização do ser amado parece exclui-la do campo do deve e haver das troca sociais e afectivas.

Segundo a teoria triangular de Sternberg que considera a existência de três componentes no amor (intimidade, compromisso e confiança) podem existir diversos tipos de amor consoante a presença/ ausência entre estes três componentes. A intimidade relaciona-se com os sentimentos de proximidade, de vinculação ao outro (componente predominantemente emocional); a paixão com os impulsos relacionados com o romance, a atração física e a sexualidade (componente essencialmente motivacional) e o compromisso com a decisão a curto prazo de que amamos o outro e a longo prazo, com a aceitação do compromisso de continuar a relação (componente cognitivo). É da combinação destes três componentes que resulta a classificação dos diferentes modelos de amor/atração interpessoal. São eles: a inexistência de amor, o gostar, o amor à primeira vista, o amor vazio, o amor romântico, o amor conjugal, o amor irrefletido e o amor consumado.

Sexualidade

Várias investigações têm demonstrado que a intimidade sexual está relacionada com uma maior satisfação a nível da relação amorosa. A satisfação sexual encontra-se fortemente relacionada com a satisfação conjugal: os casais satisfeitos praticam sexo mais frequentemente. Contudo, isto não se reduz à atividade sexual visto que os casais satisfeitos realizam mais atividades em conjunto (desde o desporto à participação em atividades sociais) do que os insatisfeitos. As razões para a insatisfação sexual tendem a diferir entre os sexos. As mulheres insatisfeitas referem a falta de calor, amor e afecto nas suas relações sexuais enquanto que os homens referem a falta de atividade sexual mais variada e freqüente.

Num estudo de Peplau, Rubin & Hill (1977) realizou-se uma comparação de diversos casais que se distribuíam por três grupos: aqueles que tinham tido a primeira relação sexual até um mês depois de terem começado a namorar; aqueles que só tinham tido a primeira relação sexual mais tarde (até seis meses depois de terem começado a namorar) e aqueles que ainda não tinham tido relações sexuais. Nos casais que tinham iniciado a atividade sexual mais cedo as mulheres relatavam maior satisfação sexual, as relações sexuais eram mais freqüentes e ambos os membros tinham atitudes mais liberais em relação ao sexo. Os casais que tinham iniciado a atividade sexual mais tarde relatavam mais intimidade emocional e psicológica. Apesar das diferenças todos os três grupos estavam igualmente satisfeitos com a relação e num período de dois anos as percentagens de casais que se haviam separado eram semelhantes. Conclui-se que nem a altura de primeira relação sexual nem a importância atribuída à intimidade psicológica parecem afetar o futuro das relações amorosas.

Diferenças de personalidade na vivência da sexualidade

As atitudes das pessoas em relação ao amor e ao sexo são extremamente diversas, variando de acordo com questões culturais e com questões de personalidade. Em muitas sociedades, o amor é visto como algo indesejável sendo que a decisão de casamento deve ser feita apenas com base em critérios econômicos. Por sua vez, na sociedade ocidental considera-se que o amor é a base do casamento. Possivelmente por esta razão, é mais freqüente que indivíduos americanos relatem experiências de paixão romântica do que os japoneses ou os russos (Sprecher et al., 1994).

A começar pela atração inicial e a relevância inicial da beleza física verifica-se que esta assume diferente importância consoante características conativas. As pessoas com alto nível de auto-monitorização (aquelas que se preocupam mais em agir de modo socialmente apropriado e de acordo com as exigências situacionais) atribuem mais importância à beleza física de um potencial parceiro. Os indivíduos com baixo nível de auto-monitorização consideram mais importante certos traços da personalidade e outras características internas. Para além disso, tal como demonstrado por Snyder, Simpson e Gangestad (1982), os indivíduos com alto grau de automonitorização têm maior número de experiências sexuais bem como atitudes sexuais mais permissivas.

As atitudes perante o sexo também diferem. Algumas pessoas seguem uma orientação sócio-sexual restrita, ou seja, procuram sentimentos de intimidade e compromisso relacional antes de iniciarem a atividade sexual enquanto que outras têm uma orientação sócio-sexual não restrita, ou sejam, vêem o sexo como uma atividade de prazer sem necessidade de compromisso. Estes indivíduos têm atitudes mais permissivas em relação ao sexo e, conseqüentemente, relatam maior número de relações sexuais ocasionais, maior número de parceiros e desejo de uma maior variedade sexual.

É também importante o tipo de relação desejada pela pessoa: uma relação a curto ou a longo prazo. Para uma relação a curto prazo tanto homens como mulheres consideram como fator mais importante a beleza. Numa relação a longo prazo, os homens são tão seletivos quanto as mulheres, o que é contraditório relativamente à teoria do investimento parental de Trivers.

FONTE: Pedro Amaral

A Vida Sexual dos Brasileiros

 

 

 

 

 

Baseado em um levantamento bastante completo sobre a vida conjugal e sexual dos brasileiros, patrocinado pelos laboratórios Pfizer e coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Hospital

das Clínicas, de São Paulo, alguns dados podem ser muito curiosos e despertam reflexões igualmente interessantes.

A pesquisa recolheu informações de quase 3.000 homens e mulheres entre 18 e 70 anos, de todas as classes sociais. A média nacional de relações é de três por semana. Esse número pode parecer exagerado aos casais que entraram no inevitável período de estabilização, mas ele é um pouco maior que a média de relações nos Estados Unidos.

Quanto ao grau de satisfação com a qualidade da vida sexual, 60% das mulheres e 68% dos homens consideram que a sua qualidade sexual é muito boa ou ótima. Somados aos que escolheram a opção “regular”, essa proporções sobem para 86% e 92%, respectivamente.

No que se refere às preliminares, ao contrário do que pode estar pensando a maioria das mulheres queixosas, 81% de suas colegas sexualmente ativas estão contentes com as carícias que recebem antes do ato. A novidade, que supostamente não acontecia em outras épocas, é que mais de 62% dos homens demonstram grande preocupação em satisfazer suas parceiras durante essa fase preparatória.

Essas cifras, possivelmente satisfatórias, espelham uma mudança significativa no comportamento sexual. A partir da liberação sexual dos anos 70, as mulheres começaram a exigir mais prazer na cama e os homens aprenderam que não bastava ir direto ao assunto.

O Perfil Sexual

A auto-avaliação feminina sobre o próprio desempenho sexual atingiu a nota 7 e a masculina, 8 (de 0 a 10). Esses números devem ser encarados com certa reserva, tendo em vista de ser natural as pessoas se superestimarem nessa questão.

Entre as queixas mais freqüentes, a falta de orgasmo lidera e continua a afligir as mulheres. Cerca de um terço delas não consegue atingi-lo. A explicação mais plausível para esse fato ainda é a mesma de antigamente, ou seja, a maior parte não tem orgasmo por medo, culpa ou porque o parceiro é rápido demais.

Outro problema predominantemente feminino é a falta de desejo – 35% das mulheres não sentem nenhuma vontade de ter relações. Esse é um número extremamente elevado. De vez em quando somos tentados a dizer para clientes masculinos preocupados com sua performance sexual que, muito provavelmente, sua esposa terá maior satisfação quando ele vira paro o lado e dorme.

Problemas Orgânicos?

Ao contrário do que gostaria a maioria das mulheres sexualmente mais lentas, do ponto de vista médico está mais do que provado, serem raros os casos em que essa disfunção é causada por limitações físicas, como por exemplo, o baixo nível de hormônios ou outra causa ginecológica.

Decisivos mesmo na regulagem do apetite sexual da mulher são os fatores psicológicos. No Brasil, acreditam os especialistas, há ainda uma questão cultural que atua como inibidor da libido feminina: a angústia de não corresponder à imagem da mulher ideal, dos sonhos masculinos, dessas que rebolam na televisão e posam para revistas masculinas. Numa sociedade altamente erotizada, que privilegia cada vez mais o “corpão” e a “poposuda”, a cama pode ser o palco de uma tremenda frustração para quem não apresenta medidas e desempenho próximos da perfeição.

Diante da impossibilidade de exibir esse padrão culturalmente desejável, o desejo das mulheres é pouco a pouco reprimido, até sumir de vez. O curioso é que o barrigão de cerveja não tem o mesmo efeito sobre os homens: apenas 12% deles se queixam de falta de desejo.

Já suspeitado, o que mais assombra o universo masculino (54%) é o medo de perder a ereção na hora H. Mas esse medo não é infundado, pois as disfunções como ejaculação precoce e impotência afetam grande parte dos brasileiros. A ejaculação precoce costuma ser um pesadelo para quase a metade dos homens entre 18 e 60 anos. A incidência é maior entre os mais jovens, que são os mais ansiosos.

Cerca de 40% dos homens entre 30 e 50 anos apresentam algum grau de impotência. Muitos casos, principalmente até a meia-idade, têm motivos psicológicos e, quase sempre, estão ligados a stress e depressão. A partir dos 50 anos, os fatores físicos costumam estar na origem dos distúrbios eréteis. Entre eles, a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto ou o desequilíbrio na produção do hormônio masculino testosterona.

O uso de drogas e o consumo excessivo de álcool também estão associados à impotência. Quando as medidas mais tradicionais falham, o jeito é apelar para o Viagra. O remédio é consumido em mais de uma centena de países, por 10 milhões de pessoas. De acordo com os médicos, o índice de sucesso do Viagra é de 80%. Esse tipo de medicamento causou uma verdadeira revolução na sexualidade masculina.

O levantamento da Pfizer mostra também que a melhor opção para traição conjugal é a prostituição. Mais da metade dos homens casados recorrem ou já recorreram a profissionais para satisfazer fantasias. Mais de 70% dos homens separados freqüentam ou já freqüentaram casas de massagem e assemelhadas.

Conduta Sexual das Mulheres

Tanto quanto nos homens, são múltiplos os fatores que condicionam a conduta sexual feminina, tais como organização social, as normas culturais e morais, a conjuntura histórica e a expectativa dos papéis sexuais. Os fatores sociais, juntamente com a conjuntura histórica, mostraram que em diversos períodos históricos e nas mais variadas culturas, a sociedade atribuiu à mulher papeis sociais atrelados à determinadas normas de conduta consideradas, digamos, apropriadas para este sexo.

Entretanto, avanços sócio-culturais importantes foram responsáveis pelas mudanças nas atitudes femininas, não apenas na questão da sexualidade, mas, inclusive, em relação ao mercado de trabalho, na política e em várias outras áreas da atividade humana. Mas, mesmo que estejamos diante da atual situação “politicamente correta” da igualdade entre os sexos, a ciência (pesquisas) continua reconhecendo diferenças significativas entre a postura sexual feminina e a masculina, embora se reconheçam também, pontos bastante concordantes entre os sexos.

A importância do sentimento e do afeto pelo parceiro na satisfação sexual, por exemplo, continua sendo maior que nas mulheres (veja o quadro abaixo), enquanto a importância da imagem positiva do próprio corpo como fator de desinibição sexual, anteriormente mais predominante nas mulheres, tende atualmente a ser igualmente valorizada.

É comum, nos dois sexos, as fantasias e sonhos eróticos. Atualmente cada vez mais mulheres sentem-se mais à vontade em buscar materiais pornográficos que as estimulem. Essas fantasias sexuais podem ser voluntárias ou involuntárias e nelas a mulher pensa o que faria e como faria em determinadas situações sexuais inusitadas. Servem até como forma da mulher superar tradicional repressão à manifestação de sua sexualidade.

As fantasias sexuais mais recorrentes em mulheres, segundo o site Museu do Sexo, são:

– Manter relações sexuais com um homem diferente de seu parceiro;
– Imaginar ser objeto de uma violação por um ou mais homens;
– Manter relações sexuais com outras mulheres;
– Relembrar experiências sexuais anteriores;
– Imaginar que desempenha o papel de dominadora ou de dominada;
– Praticar posições ou técnicas sexuais inéditas, como o sexo anal ou oral.

Primeira Vez

Há séculos (atualmente ainda em várias culturas) era exigido que a mulher fosse virgem ao casar, porém, principalmente a sociedade ocidental vem aceitando cada vez mais as relações sexuais pré-matrimoniais. Mas, de um modo geral, a primeira experiência sexual da mulher ainda pode determinar algum de conflito pessoal e/ou familiar.

Muitas garotas a consideram a perda da virgindade um passo fundamental em seu desenvolvimento pessoal (e até social), na maioria dos casos não se exigindo que o primeiro parceiro sexual seja o definitivo. Os conflitos pessoais que essa conduta mais liberal da perda (doação) da virgindade podem proporcionar são produzidos pela incerteza do momento, da atitude e da escolha do parceiro.

Boa parte das adoelescentes que deixam de ser virgens são motivadas pela necessidade de inserir-se em um contexto de liberalidade “progressista”, ou seja, para não se sentirem à margem das outras adolescentes que já experimentaram o sexo. Veja na coluna ao lado a afirmação de que “a adolescente que ainda não perdeu a virgindade é questionada pelas amigas e até ridicularizada”. O risco neste tipo de comportamento é transformar a liberdade sexual em obrigatoriedade sexual. Nesse caso o parceiro, que deveria ser a peça importante da relação, passa a ser apenas o instrumento de execussão do ato.

Existem ainda aquelas mocinhas que, temendo ficarem sozinhas, enfrentam a concorrência das demais e cedem sexualmente com o propósito de tentar garantir um namorado ou, inocentemente, comportam-se da maneira que julgam esperar dela. Os conflitos e frustrações surgem quando percebem que, além de muitas vezes a relação sexual não ter sido tão prazerosa, a atitude sexual liberal teve efeito contrário sobre as furturas intenções do companheiro, afastando-o ao invés de prendê-lo.

FONTE: PsiqWeb – A Vida Sexual (do Brasileiro)

As Complementariedades Sexuais: Até Onde Isto Vai?

*Drª Yara Monachesi

 

 

 

 

 

 

Freqüentemente encontramos textos que falam dos sádicos e dos masoquistas, os quais acabam originando um termo que agrega os dois: sado-masoquistas. A literatura séria

 nos demonstra, com dados científicos, conceitos e argumentos, que não há um sem o outro, ou seja, não há o que gosta de sofrer se não existir aquele que tem prazer em gerar sofrimento. Nos dois casos, há um elemento comum: encontramos associados prazer e dor. Embora com dinâmicas diversas, estão ali presentes, sem nenhuma dúvida, estes dois elementos. Supõe-se que, em algum momento da vida destas pessoas, fez-se e cristalizou-se a associação prazer-dor-sexo. Não há de ser por acaso, portanto, que se formem pares, ou casais, que apresentam os dois elementos: o sofredor e o outro, que gera sofrimento; o que podemos supor? que se atraiam? Talvez, além disso, que dependam um do outro. Este é um assunto já bastante debatido, o qual utilizo apenas para introduzir um outro tema:

Não haverá, freqüentemente, uma complementariedade entre os ‘modos de fazer sexo’? As disfunções sexuais não serão, também elas, complementares?

Vejamos: é inevitável que na prática clínica, ao entrevistarmos alguém que refere uma disfunção sexual, seja abordado o comportamento sexual e a resposta afetiva correspondente do parceiro ou da parceira de quem nos consulta. Chama a atenção que muitas vezes um homem que sofre de disfunção eretiva – que não consegue permanecer ou manter um estado de ereção do pênis por tempo suficiente para levar a relação sexual a um resultado satisfatório – acabe por nos relatar que sua parceira (ou parceiro) não ’gosta muito’ de ter relações sexuais, que de diferentes formas, às vezes mais explícitas, outras vezes de forma camuflada, demonstra que tem seu desejo sexual inibido, ou diminuído.

O que surgiu primeiro? O ovo ou a galinha? É comum que as pessoas julguem, apressadamente, que a “culpa” recai sobre o homem, pois se ele não consegue dar prazer a sua companheira(o), gera uma aversão pelo ato sexual insatisfatório.

Pronto: temos um culpado, um vilão, e será sobre ele que deverá cair toda a responsabilidade pelo insucesso da união; da mesma forma, se alguém precisa de tratamento, é ele, certo? Errado. Vamos tentar fazer o papel de advogado do diabo: se o parceiro ou parceira apresenta ausência ou diminuição do desejo, como se sentirá seu parceiro? Pouco amado, pois é pouco desejado? É provável que sim. O fato de sentir-se pouco desejado pode levar o homem a um estado de auto estima rebaixada, de tal forma que ele se sinta fragilizado, já que não consegue impor-se como alguém viril, como fonte de satisfação sexual, que inevitavelmente o fará sentir-se fracassado e ansioso. Não há elemento mais dramático para a disfunção erétil do que uma super dose de ansiedade.

Bem, não é nossa intenção, ao virar a moeda para que se possa apreciar sua outra face, eleger outro culpado, mas sim alertar para este aspecto: os casais, sejam eles heterossexuais ou homossexuais, funcionam como uma unidade, e portanto tudo que afeta a um, afeta ao outro, ainda que de forma diferente; é isto que justifica que, nos tratamentos das disfunções sexuais, freqüentemente, seja necessário tratar das relações afetivas que se estabelecem entre os membros do par amoroso.

*Yara Monachesi – Psicóloga, Psicoterapeuta na abordagem fenomenológica, Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP, Pós Graduada no curso de Pós Graduação Lato Sensu em Terapia Sexual da SBRASH, co-autora do livro ” Psicodiagnóstico: Processo Interventivo” – Editora Cortez 1995. Docente e coordenadora de cursos de pós-graduação do Instituto ISEXP.